Veja o que aconteceu do ataque químico ao bombardeio dos EUA na Síria

Um homem sírio coleta os restos mortais de um pássaro morto, que supostamente foi morto por gás tóxico em Khan Sheikhun, no dia 5 de abril de 2017

A seguir, a cronologia dos acontecimentos desde o suposto ataque químico atribuído ao exército sírio até a resposta dos Estados Unidos, que lançaram sua primeira operação militar contra o regime sírio.

Em uma entrevista exclusiva à AFP na quarrta-feira, o presidente sírio, Bashar al-Assad, afirmou que o ataque químico foi totalmente fabricado e serviu de "pretexto" para justificar os ataques americanos.

- O motivo -

- Em 4 de abril, um bombardeio aéreo contra a cidade rebelde de Khan Sheikhun (província de Idleb, norte) causa 86 mortos, entre elas 30 crianças, e mais 160 feridos, segundo o Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH).

Segundo o OSDH, foi o "ataque químico" mais mortífero desde o realizado nos arredores de Damasco em 2013, que causou mais de 1.400 mortos.

- A oposição e Ocidente acusam o regime de Bashar Al Assad de ter usado "obuses contendo gás químico", o que nega Damasco. O exército sírio nega "categoricamente ter usado qualquer substância química ou tóxica".

- As acusações -

- Em 5 abril, a Rússia sai em defesa do regime de Damasco. O ministério da Defesa diz que a aviação síria bombardeou "perto de Khan Sheikhun um grande depósito terrorista", que abrigava "uma oficina de fabricação de bombas com substâncias tóxicas".

- A Organização Mundial da Saúde (OMS) afirma que certas vítimas do suposto ataque químico apresentam sintomas que sugerem exposição a uma categoria de produtos químicos como "agentes neurotóxicos". A Médicos Sem Fronteiras (MSF) fala de "um agente neurotóxico do tipo gás sarin".

- "Todas as provas que vimos sugerem que foi o regime de Assad... usando armas ilegais contra seu próprio povo", afirma o chanceler britânico Boris Johnson

- A ameaça -

- O presidente americano Donald Trump ameaça passar à ação. "Estes atos odiosos do regime Assad não podem ser tolerados", afirma o magnata, que admite que sua "atitude ante a Síria e Assad mudou claramente".

- Em 6 de abril, a Rússia diz que Washington carece de informação "objetiva, confiável e realista". Vladimir Putin considera "inaceitável" acusar o regime sírio sem provas.

- O chanceler sírio Walid Muallem afirma que o exército sírio "não usou e jamais usará" armas químicas contra seu próprio povo, "nem contra os rebeldes e os jihadistas".

- As necropsias realizadas na Turquia de três vítimas do ataque confirmam a utilização de armas químicas pelo regime, segundo o ministro turco da Justiça.

- O ministro da Defesa israelense, Avigdor Lieberman, afirma ter 100% de certeza de que o presidente sírio ordenou diretamente o ataque.

- O secretário de Estado americano Rex Tillerson anuncia que Washington "avalia uma resposta apropriada".

- O contra-ataque -

- Na madrugada de sexta-feira, os Estados Unidos lançam 59 mísseis de cruzeiro Tomahawk contra uma base aérea do centro da Síria, a partir de dois navios americanos posicionados no Mediterrâneo. Trump apela às "nações civilizadas" que trabalhem para acabar com banho de sangue.

- A Rússia condena a operação, classificando-a de "agressão contra um Estado soberano", e suspende o acordo firmado com Washington para impedir incidentes entre aviões dos dois países durante operações da coalizão internacional na Síria.