Rede social tem sido maior palanque de Bolsonaro durante crise na Amazônia

Semana foi agitada para o presidente Jair Bolsonaro, que usou e abusou das redes sociais para se defender - Foto: AP Photo/Eraldo Peres

* Por Renato C. Abreu

A tarde escura e fria que surgiu em São Paulo na última segunda-feira (19) se tornou um verdadeiro sinal de que a semana do presidente Jair Bolsonaro (PSL) não seria das mais tranquilas.

Diante das queimadas na Amazônia e de um sequestro no Rio de Janeiro, o líder da República passou por momentos delicados e recorreu às suas redes sociais para se defender. Relembre a semana de Bolsonaro com base em sua atividade na internet:

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Na segunda, o céu da cidade de São Paulo ficou encoberto por nuvens escuras e o dia virou noite. Segundo especialistas, o fenômeno foi causado pela chegada de uma frente fria que encontrou partículas oriundas de fumaça de incêndios florestais na região amazônica.

As imagens da escura tarde na capital paulista rapidamente viralizaram nas redes sociais e ganharam o mundo. A situação crítica da Floresta Amazônica se tornou um dos assuntos mais comentados na internet, assim como os ataques a Bolsonaro.

Neste dia, o presidente se limitou a ironizar a Noruega. O país criticou sua gestão e prometeu cortar um repasse ao Fundo Amazônico por conta do aumento do desmatamento na região após Bolsonaro assumir a Presidência.

Na terça-feira (20), Bolsonaro virou seu foco para o sequestro de um ônibus no Rio de Janeiro. Um homem armado manteve 37 reféns na ponte Rio-Niterói pela manhã e foi morto por atiradores de elite da polícia carioca.

Em suas redes sociais, o presidente comemorou a atuação das autoridades, gerando discussão na internet por conta da forma como a operação foi conduzida. “Criminoso neutralizado e nenhum refém ferido. Hoje não chora a família de um inocente”, disse.

Wilson Witzel (PSC), governador do Rio de Janeiro, afirmou que os snipers serão promovidos e condecorados por bravura. O político chegou no local após o desfecho do caso comemorando e pulando, também recebendo críticas pelo comportamento.

Já na quarta-feira (21), Bolsonaro decidiu suspender um edital que havia escolhido séries sobre diversidade de gênero para serem exibidas na televisão aberta. A determinação foi publicada no Diário Oficial da União e o presidente fez questão de postar em suas redes sociais a notícia.

O edital foi suspenso por 180 dias pelo ministro da Cidadania, Osmar Terra, e pode sofrer prorrogação de mais 180. De acordo com a publicação no Diário, a medida ocorreu por "necessidade de recompor os membros do Comitê Gestor do Fundo Setorial do Audiovisual - CGFSA".

No mesmo dia, Bolsonaro replicou uma publicação do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, sobre as queimadas na Amazônia. O político chegou a afirmar que a escuridão em São Paulo ter sido causada pelo fogo no norte do país não passava de fake news.


O ministro afirmou que há “sensacionalismo ambiental” e ironizou seus críticos. “Parece até um vídeo que vi, um mês atrás, de um helicóptero do Ibama sendo recebido a tiros e, depois, meia hora depois, mostrou um menino que tinha feito uma montagem".

Mais tarde, foi divulgado um vídeo onde é possível ouvir uma sonora vaia ao ministro durante sua participação na Semana Latino Americana sobre Mudança do Clima, da ONU (Organização das Nações Unidas), em Salvador. Ao longo do seu discurso, ele disse que as queimadas na Amazônia preocupam o governo, que até então não foi omisso diante do problema.

Bolsonaro voltou a se pronunciar sobre o assunto inda na quarta. Em um vídeo gravado durante uma conversa com jornalistas em frente ao Palácio da Alvorada, o presidente afirmou que os incêndios podem ter sido causados por ONGs que deixaram de receber apoio do governo.

"São os índios, quer que eu culpe os índios? Vai escrever os índios amanhã? Quer que eu culpe os marcianos? É, no meu entender, um indício fortíssimo que esse pessoal da ONG perdeu a teta deles. É simples. As ONGs perderam dinheiro, estão desempregados. Tem que tentar fazer o que? Tentar me derrubar”, disse o presidente.

A situação da Amazônia rapidamente chegou a outros países. Na quinta-feira (22), o presidente francês Emmanuel Macron publicou uma imagem onde diz na legenda que “nossa casa está queimando. É uma crise internacional. Membros do encontro do G7, vamos discutir essa emergência nos primeiros dias”, disse o líder.

A imagem, entretanto, retrata um incêndio antigo na Amazônia, de setembro de 2012. Outras personalidades internacionais como Madonna e Cristiano Ronaldo cometeram o mesmo engano publicando fotos de incêndios em outras regiões ou épocas, fora de contexto, se tornando alvo do governo brasileiro e seus seguidores.

“O Governo brasileiro segue aberto ao diálogo, com base em dados objetivos e no respeito mútuo. A sugestão do presidente francês, de que assuntos amazônicos sejam discutidos no G7 sem a participação dos países da região, evoca mentalidade colonialista descabida no século XXI”, atacou Bolsonaro.

Já na sexta-feira (23), Bolsonaro recorreu ao seu maior aliado até o momento, os Estados Unidos. O presidente conversou com Donald Trump, que ofereceu todo apoio necessário para conter os focos de incêndio na Amazônia.

Bolsonaro destacou ainda ter se reunido com os presidentes de Chile, Argentina, Equador e Espanha, após as quatro nações se solidarizarem com o Brasil diante de supostas campanhas de fake news contra o seu governo.

Na noite de sexta, o presidente fez um pronunciamento à nação no rádio e na televisão para tratar sobre o tema. Durante o discurso, Bolsonaro foi alvo de panelaço em diversas cidades do país.

O presidente afirmou que os incêndios na Amazônia não podem se tornar um pretexto para que o Brasil sofra sanções internacionais. Além disso, Bolsonaro não destacou efetivamente medidas para controlar a situação na região.