Veja como driblar a alta dos alimentos para economizar

Letycia Cardoso
·5 minuto de leitura
Alta do arroz, da carne e do óleo de cozinha pressionaram a inflação

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Alta do arroz, da carne e do óleo de cozinha pressionaram a inflação

Quem está atento aos preços nos mercados já percebeu que até comer o típico feijão com arroz ficou mais caro. A alta dos alimentos acelerou a inflação em 0,64% em setembro — maior resultado para o mês desde 2003, segundo dados divulgados pelo IBGE. As maiores variações foram do óleo de soja (27,54%) e do arroz (17,98%) que, só neste ano, subiram 51,30% e 40,69%, respectivamente. O tomate (11,72%), o leite longa vida (6,01%) e as carnes (4,53%) também ficaram mais caros. Diante disso, como é possível economizar, sem deixar de se alimentar bem?

Jeovani Oliveira, integrante do time de "caçadores de ofertas" , plataforma dos jornais EXTRA, O Globo e Expresso que reúne, no impresso e no digital, as melhores promoções de supermercados, drogarias e lojas de departamento de Rio e Grande Rio, conta que sentiu no bolso a alta nas prateleiras:

— Eu era casado, me separei e, mesmo assim, o valor das compras de alimentos está pesando!

A também caçadora do "Qual oferta", Izaura Alice, aconselha a aproveitar os bons descontos quando encontrá-los.

— Há três meses, o óleo de soja era vendido a R$ 2,99. Hoje, eu corro para comprar no mercado por R$ 6,99. Para ver como os preços subiram! — compara Izaura: — Os aniversários das redes de supermercados são bons momentos para encontrar valores atrativos. Quando vejo produtos de uso contínuo a preços vantajosos, como de higiene pessoal, limpeza, azeite e óleo, costumo fazer estoque. Se colocar na ponta do lápis, vale a pena!

De acordo com o economista da Fundação Getulio Vargas, André Braz, muitos alimentos consumidos pelos brasileiros foram afetados pela desvalorização do real frente ao dólar. Dessa forma, como os preços do milho, da soja e do trigo são regulados por bolsas internacionais, se o preço sobe no exterior, os produtos acabam ficando mais caros dentro do país.

Para fugir das altas, é possível trocar tais alimentos por outros do mesmo grupo: o arroz, por exemplo, que é um carboidrato, pode ser substituído pelas batatas, pela mandioca e pelo inhame. Mas, para quem não abre mão de ter o grão no prato, a nutróloga Tânia Apelbaum Novak dá dicas para melhor conservação, evitando o "bichinho no pote":

— Os recipientes de vidro e com tampa são os melhores. Os de plástico podem liberar substâncias tóxicas se ficarem em contato com o alimento por muito tempo. Além disso o vidro também não absorve odores!

As verduras também podem ter maior durabilidade se forem bem secas após higienizadas e embaladas em sacos plásticos, eliminando todo o ar. Tânia ainda explica que, na geladeira, os alimentos devem ser consumidos em sete dias para não gerarem mofo. Os de casca grossa, no entanto, como bananas, abacaxi, melancia e abacate, podem ficar fora da geladeira até amadurecerem.

Outra maneira de economizar é utilizar de forma integral os alimentos. René Lopo Neto, nutricionista da Coordenação Nacional do Mesa Brasil Sesc, afirma que, embora a maioria das pessoas ainda não reconheça, cascas, talos e sementes são extremamente ricas em fibras e nutrientes e podem tornar o reaproveitamento rico em termo de valor nutricional, além de ser uma forma de evitar o desperdício.

— Segundo a última pesquisa recente de orçamentos familiares do IBGE (POF), 19%, em média, da renda mensal familiar é gasta em alimentação. Se colocarmos que, desse recurso gasto, cerca de 40% é dispensado ou não utilizado integralmente, já podemos pensar em uma economia enorme — analisa o nutricionista: — Usar o alimento na integralidade nos permite, em uma posterior compra, planejar e entender que é possível comprar menos quantidade, levando em consideração o uso de suas partes não convencionais em preparações.

Neto não nega que a mudança de hábito é um grande desafio, pois passa pelas etapas de compra, armazenamento, manuseio e utilização desses alimentos no preparo dos pratos. Porém, pode trazer muitos benefícios para a sociedade como um todo:

— Em um país que produz tanto, mas ao mesmo tempo desperdiça muito, a utilização integral dos alimentos é um grande trunfo, especialmente no que diz respeito ao combate à fome.

- Recheio: 200g de ricota, 1 cebola picada, 4 dentes de alho, ½ alho-poró, talo de um molho de couve, 100g de casca de abobrinha, 50g de talo de cheiro verde, cascas de 6 bananas, 50g de talo de manjericão, sal a gosto e orégano a gosto.

Refogue a cebola até que fique transparente e acrescente o alho. Deixe refogar. Coloque a casca de banana em tiras, o talo da couve, o alho-poró picado, a casca da abobrinha picada, o talo do cheiro verde, o orégano, o sal, o manjericão e a ricota.

- Massa: 4 xícaras de farinha de trigo, 1 ½ xícara de margarina e 3 ovos.

Misture a farinha, 3 gemas e a margarina. Coloque a massa na forma, depois o recheio e a ricota. Cubra com o restante da massa.

- Ingredientes: 2 bananas com casca, 1 xícara de chá de farinha de trigo, 150g de chocolate meio amargo, ½ de xícara de chá de achocolatado em pó, 2 ovos, 1 colher de café de fermento em pó, 50g de margarina, 1 colher de sopa de semente de abóbora torrada, moída e peneirada, ½ xícara de chá de açúcar mascavo.

- Modo de preparo: derreta o chocolate com margarina e reserve. Bata no liquidificador as bananas picadas com as cascas, os ovos e o açúcar. Despeje em uma vasilha, misture o chocolate derretido e os demais ingredientes. Asse em forno com temperatura média, por 35 minutos. Sirva com geleia e cascas.