Veja como vocação ofensiva pautou toda a lista de Tite para o Catar

A grande mensagem da lista dos 26 atletas convocados por Tite para a Copa do Mundo é que a busca pelo hexa será pautada pela vocação ofensiva de uma seleção brasileira revigorada nos últimos quatro anos. Ao chamar nove atacantes — entre eles a surpresa Gabriel Martinelli, 21 anos, do Arsenal — e escolher os nomes que completam os demais setores baseado em uma filosofia que prioriza o jogo pelas pontas, o treinador não brigou com os fatos. Abriu alas para uma nova geração consolidada no futebol europeu e acrescentou a essa concorrida lista destaques decisivos do futebol brasileiro, como Pedro e Everton Ribeiro, do Flamengo.

Para tal, precisou romper um pouco com a geração de 2018, deixar fora nomes como o experiente Roberto Firmino, desconsiderar Matheus Cunha, que participou do ciclo e foi para a Olimpíada, e ignorar ídolos do futebol nacional como Gabigol, tamanho o nível de concorrência do ataque.

— Os atletas concorrem em alto nível. Poderiam ser outros convocados, seria justo. Mas são escolhas. Precisamos de jogadores agudos pelos lados, incisivos. Foi assim que a equipe se estruturou — afirmou Tite.

Talvez para fortalecer essa identidade, a equipe parece ter sido convocada da frente para trás. Ao chamar Daniel Alves e abrir uma exceção com o veterano, dando-lhe oportunidade de atingir a meta física esperada pela comissão técnica nos treinos do Barcelona B, Tite também priorizou o jogo ofensivo que precisa de laterais construtores e mais equilibrados. E deixou Eder Militão como alternativa para a defesa ao lado de Bremer, outro que apareceu na lista nos últimos amistosos este ano.

Diferentemente de 2018, o jogo do Brasil não é mais a partir de triangulações de laterais, meias e atacantes. Desta forma, fez sentido dar ênfase não só à experiência de Daniel Alves, mas também à consistência de Alex Telles na esquerda, após ter Marcelo no último ciclo. Ambos se juntam aos hoje titulares Danilo e Alex Sandro, todos com funções mais coadjuvantes.

—Há uma geração de atletas de alto nível que estão se convocando. Do meio para frente é uma convocação maior, mas não quer dizer que não teremos consistência defensiva — reforçou o treinador.

versatilidade

Como os últimos amistosos já sugeriram, o time titular da seleção tem como opções a formação com dois volantes de ofício (Casemiro e Fred) e Lucas Paquetá aberto na esquerda, ou Vini Jr. pela ponta e o meia mais centralizado, no lugar de Fred. O que não muda em nenhum dos dois casos é a proposta tática básica, que a convocação ajuda a reforçar. Dos nove atacantes, Tite pode extrair versatilidade e poder de decisão pelos corredores laterais e central. Gabriel Martinelli se soma a Vini Jr. na esquerda, e a Antony e Raphinha pela direita. Por dentro, Richarlison e Pedro são as principais referências. Rodrygo pode fazer os três corredores, mas cai mais pela direita; já Gabriel Jesus tem a capacidade física de abrir o jogo ou brigar entre os zagueiros. Fica claro que não havia espaço para Gabigol. Tanto que Tite nem precisou explicar a ausência do camisa 9 do Flamengo desta vez. Mas as fartas opções o levaram a comentar a menor dependência de Neymar.

— A seleção depende dos grandes atletas, depende do Antony, do Raphinha, do Neymar. Se não tiver uma qualificação, não gera uma expectativa maior. Talvez essa geração de atletas do meio para frente tenha permitido enfoque a outros. A gente precisa de todos, somos dependentes da qualificação de cada um deles — disse.

apresentação em turim

O camisa 10, embora esteja na lista de atacantes, terá liberdade para criar por todos os lugares do campo, com Everton Ribeiro como possível substituto para esse trabalho de rotação e criação junto aos centroavantes e pontas, que no Flamengo é feito com laterais agudos.

A ausência de Philippe Coutinho, que teve lesão muscular confirmada no domingo, abriu espaço para Martinelli aparecer na lista de atacantes e dar ainda mais volume ao setor. Isso reforçou a importância da escolha por volantes com perfil de marcação e criação por dentro, como Bruno Guimarães, do Newscastle.

Enfim, uma lista que, se não é unânime, é coerente. E que deixou Tite mais confiante em encerrar sua passagem pela seleção com um legado depois de seis anos, mesmo que, eventualmente, sem título.

Os jogadores se apresentam em Turim, na Itália, na próxima segunda-feira, dia 14. para a reta final da preparação. A estreia da seleção na Copa será dia 24, contra a Sérvia, no estádio Lusail, em Doha.