Veja cuidados a serem tomados na Black Friday para evitar prejuízos

Letycia Cardoso
·6 minuto de leitura
Foto: Marcelo Theobald/29.11.2019

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Foto: Marcelo Theobald/29.11.2019

Diante da pandemia e, consequentemente, da crise econômica, o varejo tem feito várias investidas para atrair os consumidores e alavancar as vendas. Desde o início da reabertura das lojas físicas, foram inúmeros eventos: Semana Brasil, comemorada de 3 a 13 de setembro; Dia do Cliente, que ocorreu no dia 15 do mesmo mês; Dia das Crianças, em 12 de outubro; Dia dos Solteiros Chinês, em 11 de novembro. E, agora, a Black Friday se aproxima. Para saber se a promoção realmente vale a pena e não cair numa cilada, alguns cuidados são necessários.

Para o administrador e professor na faculdade Serra Dourada de Lorena, Rodolfo Rosa, a Black Friday é uma oportunidade de compras para os clientes que acompanharam o preço do produto nos meses anteriores. De acordo com pesquisa da Superdigital — fintech do Grupo Santander com foco em inclusão financeira — 83% dos consumidores das classes C e D pesquisam os preços dos produtos que pretendem comprar para saber se o valor na Black Friday significa mesmo uma boa promoção.

— Isso dificulta que o consumidor caia em falsas promoções. Se ele não tiver feito isso anteriormente, pode recorrer a sites que ajudam a acompanhar o preço dos produtos ao longo de um período, como Zoom e Buscapé, para verificar se houve aumento na véspera do evento — acrescenta Rosa.

Como economizar:
A integrante do time de "caçadores de ofertas" do "Qual oferta", plataforma dos jornais EXTRA, O Globo e Expresso que reúne, no impresso e no digital, as melhores promoções de supermercados, drogarias e lojas de departamento de Rio e Grande Rio, Izaura Alice, sempre adota essa tática. De olho em um laptop, acompanha o preço desde setembro.

— Acompanho os preços para ter referência e não cair na Black Fraude. Pretendo gastar, no máximo, metade do meu décimo terceiro... mas só se a relação entre custo e benefício for boa de verdade — afirma Izaura.

Os Procons também fazem o monitoramento de preço para ajudar os consumidores que não pesquisaram antes. Vale a pena checar para ter certeza que o preço encontrado é realmente o mais vantajoso. O Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor ainda recomenda guardar o folheto ou tire um print screen (foto da tela do computador ou celular) com a demonstração do produto, valor e também com informação do link, nome da empresa, data e hora em que foi feita a pesquisa. Dessa forma, o comprador poderá conferir se a oferta realmente foi cumprida.

As compras realizadas no período da Black Friday não deixam de seguir as normas do Código de Defesa do Consumidor (CDC). Caso não haja o cumprimento da oferta, cabe reclamação no Procon-RJ. O consumidor que verificar alguma irregularidade, deve denunciar através do site www.procononline.rj.gov.br ou do aplicativo “Procon RJ”.

E não é só às falsas ofertas que o consumidor deve estar atento: os hackers se aproveitam do momento para tentar fazer mais vítimas. Segundo a empresa de cibersegurança Psafe, os golpes mais comuns são os de phishing, ou seja, links maliciosos em que páginas falsas se passam por sites de venda online com valores de produtos muito abaixo de mercado ou com grandes promoções, tendo como objetivo roubar dados de cartão de crédito ou causar prejuízos financeiros às vítimas. As empresas mais visadas pelos golpistas são as de marcas de perfume.

Para não cair numa armadilha, o diretor do laboratório de segurança da Psafe, Emilio Simoni,afirma que o ideal é verificar se loja virtual possui CNPJ, endereço e telefone de contato, além de conferir se as páginas oficiais nas redes sociais, como Facebook, Instagram e Twitter, possuem um selo de verificação. Caso as dúvidas permaneçam, é possível checar a confiabilidade de um link pelo site https://www.psafe.com/dfndr-lab/pt-br/

Mesmo que os preços sejam tentadores, é importante se planejar para não complicar o orçamento já que, logo depois da data, é hora de pagar o IPTU, o IPVA, a matrícula escolar, o plano de saúde. E dessas contas não dá pra se livrar.

Para evitar gastos desnecessários, a dica é fazer uma lista de produtos que precisa e que gostaria de comprar e estabelecer um limite de gastos.

Muitas empresas maquiam o preço para que o produto pareça mais barato. Ou seja, sobem o valor na véspera e baixam na data como se fosse uma oferta. Essa prática é considerada publicidade enganosa e o estabelecimento pode ser penalizado. Se descobrir essa ilegalidade, denuncie para os órgãos de defesa do consumidor.

Um tipo de golpe muito comum na Black Friday são as páginas de e-commerce falsas. O fraudador cria uma página de produto idêntica à de um grande varejista, mas em outro domínio. Sem perceber a diferença e acreditando estar realizando a compra em uma loja confiável, o usuário faz o pedido e, em seguida, recebe no seu e-mail um boleto fraudado.

Por isso, pesquise a idoneidade da loja, verificando se possui endereço físico e canal de relacionamento com o consumidor. Também é importante acessar o histórico de reclamações no Procon de seu município e no site consumidor.gov.br, do Ministério da Justiça, para verificar a reputação da loja.Outra dica é consultar a lista do Procon-SP, com cerca de 500 sites que devem ser evitados.

Também é preciso ter atenção a e-mails com ofertas imperdíveis. Antes de clicar, desconfie. Você pode ser uma vítima de fraude. Além disso, ao acessar o endereço eletrônico, verifique se aparece um cadeado no canto esquerdo da barra de busca. Caso esteja visível, provavelmente a loja é segura.

Nessa época do ano, é melhor que o consumidor utilize o cartão de crédito para comprar online. Isso porque, ele garante o estorno no caso de golpe ou mesmo de não entrega do produto, diferentemente de outros métodos de pagamento como boleto e transferência.

Nunca forneça dados pessoais ou bancários em sites de procedência desconhecida. Desconfie de grandes promoções, procure os sites oficiais das lojas para confirmar a veracidade antes de realizar qualquer compra.

Algumas lojas físicas não permitem a troca de produtos comprados na Black Friday, o que é permitido, desde que a informação esteja clara para consumidor. Segundo o CDC, o fornecedor não tem obrigação de trocar o produto se este não apresenta vício ou defeito. Já nas compras feitas pela internet ou fora do estabelecimento comercial, está previsto por lei o direito de arrependimento em sete dias. Ao exercer esse direito, o consumidor deve receber de volta todos os valores eventualmente pagos, corrigidos monetariamente. Até mesmo os valores de frete devem ser restituídos.

Já em relação à entrega, embora o CDC não determine um prazo máximo para a entrega de mercadorias, a lei estabelece o direito à informação: a loja virtual é obrigada a informar a previsão de entrega do item. Quando o lojista descumpre com o prazo que ele mesmo determinou, os consumidores devem acionar a empresa, por meio do Serviço de Atendimento ao Consumidor (SAC).

Por fim, outra prática não permitida é embutir o valor de garantia no produto. Dessa forma, é muito importante estar atento para não cair em armadilhas e denunciar ao Procon, caso aconteça.