Veja detalhes da história de 'Dona Vitória', personagem que será vivida por Fernanda Montenegro em filme

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Atrágica morte do diretor Breno Silveira, no último dia 14 de maio, aos 58 anos, em pleno set de filmagens do longa-metragem “Dona Vitória”, inevitavelmente abalou toda a equipe envolvida na produção. Seu último filme, no entanto, não ficará apenas nos cartões de memória. O primeiro projeto de Breno em parceria com sua mulher, a roteirista Paula Fiuza, passou para as mãos de um grande e antigo amigo, o diretor Andrucha Waddington. A trama, protagonizada por Fernanda Montenegro, é inspirada em uma reportagem publicada originalmente pelo EXTRA, em agosto de 2005, pelo então repórter Fábio Gusmão, atual editor de Rio dos jornais EXTRA e O Globo. Na ocasião, ele contou como uma senhora de 80 anos filmou por dois anos, com uma câmera própria, a rotina do tráfico de drogas na Ladeira dos Tabajaras, em Copacabana, na Zona Sul, e entregou o material à polícia, possibilitando a prisão de mais de 30 pessoas, entre elas policiais militares envolvidos com a quadrilha.

Gusmão recorda como foi escolhido o nome fictício da protagonista dessa história, tudo para preservar a imagem da aposentada, que precisou se mudar e entrar no Programa de Proteção à Testemunha.

— Quando sentei para escrever, pensei que me recusaria a chamar aquela mulher de X ou Y. No meu caso, que tinha vivido aquilo tudo por um ano e meio, entre o saber do fato e a publicação, não tinha como despersonificá-la — justifica o jornalista, lembrando que o pseudônimo foi uma sugestão do então editor-executivo do jornal, Octávio Guedes, atual comentarista da GloboNews.

Para realizar toda a apuração, Gusmão destaca que visitava Dona Vitória semanalmente dizendo ser seu sobrinho. Já para os policiais chegarem ao apartamento, eles se passaram por possíveis compradores do imóvel.

Depois, o caso originou ainda o livro “Dona Vitória da Paz”, também escrito pelo jornalista e publicado pela editora Planeta.

Um dos sócios da Conspiração Filmes, que coproduz o longa com o Globoplay, Andrucha era ainda um amigo muito próximo de Breno e seu parceiro de trabalho. Ele é também genro de Fernanda Montenegro.

A produção vai contar a história de vida de Vitória desde a infância em Alagoas, quando ela era estuprada aos 13 anos pelo filho de um fazendeiro da região, que a levou para longe de sua família. Na ocasião, a menina ficou grávida e vagava por cidades durante a gestação, até voltar a ver a família e denunciar o rapaz. Pouco depois, ela perdeu sua filha, que nasceu com um problema cardíaco.

— Obviamente, trata-se de uma obra de ficção, mas o roteiro conseguiu manter a essência do que é aquela mulher — avalia Gusmão.

Personagem hoje tem 97 anos

Após toda a repercussão do caso e prisão dos envolvidos, foi difícil convencer Dona Vitória a deixar o apartamento em que viveu por 38 anos e comprou com dificuldades, em um financiamento pela Caixa Econômica. Quando chegou ao Rio de Janeiro, a alagoana trabalhou como empregada doméstica e depois como massoterapeuta até se aposentar. Isso depois de voltar a estudar, se alfabetizar e quase concluir o Ensino Fundamental.

O último contato de Gusmão com a aposentada foi em fevereiro de 2020. Ela está viva, hoje com 97 anos, em algum estado brasileiro, e ajuda a equipe da produção do filme na composição da história. Seu anonimato segue preservado por questões de segurança.

— Quando entrei na casa dela pela primeira vez, fiquei impressionado. Era muito perto (dos traficantes), menos de 100 metros — conta Gusmão.

A saga de Dona Vitória

Antes do Rio

Nascida em 1925, ela foi para Recife na adolescência para trabalhar como doméstica. Aos 25, veio para o Rio.

Casa em Copa

Em 1967, conseguiu financiar o apartamento onde morou por 38 anos.

Indignação

Em 2003, decidiu comprar uma câmera em 12 vezes de R$ 150 e entrada de R$ 800.

Saída do Rio

A polícia fez as prisões em 2005, e ela precisou deixar o apartamento.

Programa de Proteção

Em quase quatro anos no programa, viajou a Itália e teve que ser reintegrada na volta ao Brasil, com a ajuda de Gusmão.

Novas casas

Morou na casa de um irmão no Centro-Oeste e depois se mudou para outro estado.

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