Veja dez cuidados na hora de contratar o novo consignado do INSS

Letycia Cardoso
·4 minuto de leitura
Consignado tem taxas menores, mas pode causar endividamento de idosos
Consignado tem taxas menores, mas pode causar endividamento de idosos

No início do mês, o governo aumentou o limite de comprometimento de renda de aposentados e pensionistas com consignados para 40%, sendo 35% com o empréstimo e 5% com saques em cartão de crédito. A nova margem vale inclusive para aqueles que já possuem um empréstimo. No entanto, a aplicação de parcelas em valores mais altos deve ser negociada diretamente com o banco.

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Antes, os segurados do INSS podiam comprometer até 30% do seu rendimento e mais 5% com cartão de crédito, totalizando 35%. Embora as taxas de juros cobradas por consignado sejam menores que as de outras opções de crédito no mercado, devido ao baixo risco de inadimplência já que o dinheiro é descontado na fonte, é preciso ter cuidado para que a dívida não vire uma bola de neve. Veja os cuidados que devem ser tomados antes de optar pela contratação:

O economista do Ibmec RJ Gilberto Braga alerta que muitos bancos têm feito abordagens ativas para oferecer o consignado, ressaltando as vantagens e ocultando as consequências futuras. Por isso, alerta que esse tipo de crédito também é uma espécie de empréstimo e deve ser utilizado apenas para necessidades reais.

— As pessoas são muito imediatistas. Não lembram que, depois, o dinheiro que irá cair na conta será menor. É preciso pensar no futuro! — aconselha Braga.

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A advogada Cátia Vita lembra que, após ter assinado um contrato voluntariamente, não é possível se arrepender. Dessa forma, aconselha a fazer uma análise do próprio orçamento e calcular qual real percentual de sua renda que é possível comprometer com o pagamento da dívida.

— Com o aumento da margem consignável até dezembro deste ano, o aposentado ou pensionista pode comprometer até 40% do benefício com empréstimos. Isso deve ser utilizado com cautela, pois pode aumentar o percentual de endividamento dos pensionistas e aposentados — opina Cátia.

Ao decidir contratar um consignado, Cátia Vita orienta a estar atento às cláusulas contratuais, ler, reler e não assinar caso não esteja de acordo:

— Também é sempre importante guardar uma cópia do contrato, para que esteja respaldado em um eventual descumprimento contratual futuro.

É possível pesquisar as melhores taxas através do site do Banco Central. Na "Calculadora do Cidadão", o aposentado pode fazer simulações selecionando "Financiamento com prestações fixas".

O economista Gilberto Braga explica que, quando um aposentado já tem um empréstimo consignado em andamento, com boa parte paga, pode pegar um novo crédito sem aumentar o valor do desconto, porém elevando o tempo de dívida. O que pode parecer vantajoso, no entanto, não é o ideal para o orçamento.

— Isso acaba sendo uma tentação muito grande. As pessoas não conseguem entender esse endividamento como algo ruim, por já terem hábito do consignado! — diz o economista.

Para saber o quanto ainda pode comprometer da renda, o interessado deve fazer login no MEU INSS e clicar em "Extrato de Empréstimo".

Se a necessidade de pegar o consignado não for tão urgente, faça o teste e simule passar o mês com a quantia resultante da subtração entre o seu salário e o valor das parcelas a serem pagas. Se for possível, analise por quanto tempo você conseguiria conviver com essa dívida.

Principalmente agora, que os idosos estão mais sozinhos e não têm um familiar por perto para orientar, é preciso ter cuidado ao dar aceite eletrônico em termos de aplicativos de bancos ou internet banking. Isso porque o aposentado ou pensionista pode acabar fazendo uma contratação de consignado sem nem perceber que está solicitando um empréstimo.

— Existem muitas formas de tentar usar da boa fé ou desconhecimento dos aposentados. Eles podem achar que estão preenchendo os dados para uma atualização qualquer, mas talvez estejam contratando um empréstimo. Casos de contratação individa têm crescido na quarentena! — revela Braga.

É comum familiares pedirem a ajuda dos idosos da família para a tomada de um empréstimo, por terem acesso a taxas mais atrativas, mas também é recorrente que essa dívida — pautada na confiança — não seja quitada. Sendo assim, o aposentado acaba tendo que honrar sozinho com o compromisso com o banco. Por isso, se desejar emprestar mesmo o dinheiro, é preciso ter uma reserva de emergência para quitar o consignado caso o familiar não pague.

O celular ou o eletrodoméstico novo podem sair muito mais caro se o dinheiro usado para comprá-los for de um consignado, já que há juros embutidos. Na hora do consumo, opte por outras formas de crédito que não cobrem taxas, como parcelamento no cartão de crédito.

Caso tenham feito um consignado em seu nome, sem que você tenha solicitado, é possível fazer uma denúncia no site consumidor.gov.br. A empresa será acionada e deverá responder. Também é possível efetuar uma reclamação no INSS, através do site ou do telefone 135.

Para evitar golpes, em que um terceiro solicita um empréstimo em seu nome, a advogada Cátia Vita sugere nunca fornecer dados pessoais antes de ter certeza que está em contato com uma empresa realmente idônea e verdadeira, além de evitar contratações remotas pelo whatsapp ou através de e-mails.