Veja dez locais para visitar no Rio gastando nada ou muito pouco

Geraldo Ribeiro
·5 minuto de leitura
Parque Lage é uma das opções de lazer
Parque Lage é uma das opções de lazer

Não é necessário gastar muito para se divertir no Rio. Esse é o mote de uma página no Instagram que dá dicas de programas e passeios que podem ser feitos na cidade e arredores gastando nada ou bem pouco. Batizado de “Rio para pobres”, o perfil mostra opções que, apesar de muito baratas ou 0800, são um luxo só: incluem desde lugares óbvios, como a Ilha Fiscal e o Centro Cultural do Banco do Brasil, até outros poucos conhecidos dos cariocas como a Pedra da Tartaruga, que faz parte do circuito de praias selvagens no Parque Estadual da Pedra Branca, em Barra de Guaratiba.

A página revela também ângulos da cidade desconhecidos por muita gente. São locais cuja beleza pode passar despercebida na correria do dia a dia, como a charmosa Rua Pires de Almeida, em Laranjeiras, que, com seus prédios antigos em tons pastéis e o Cristo Redentor ao fundo, rende fotos para fazer bonito nas redes sociais.

Há ainda o belo jardim do Palácio do Itamaraty, no Centro, com seu espelho d´água ladeado por palmeiras imperiais, que fogem aos olhos de quem passa pela agitada Avenida Marechal Floriano. Nos arredores do Rio, o internauta é convidado a um passeio no Parque dos Eucaliptos, dentro do Parque da Cidade, em Niterói, que mais parece cenário de filme.

Confira, a seguir, dez opções:

Jardim Suspenso do Valongo (Rua Camerino s/n, Centro): Foi construído com a missão de apagar as marcas da escravidão, com jardim e estátuas.

Ponte dos Jesuítas (Est. do Cortume 1577, Santa Cruz): Conhecida também como Ponte do Guandu. Construída em 1752, é considerada a mais moderna obra de engenharia hidráulica ainda em pé daquela época. Sua beleza encantou o imperador D. Pedro II.

Palácio do Itamaraty (Av. Mal. Floriano 196, Centro). Aberto a visitação, foi residência dos ex-presidentes Floriano Peixoto, Deodoro da Fonseca e Prudente de Morais. De arquitetura neoclássica, tem rica decoração, jardim interno e espelho d’água.

Morro do Luiz Barata, também conhecido como Pedra do Rui (Rua Aratanha s/n, Campo Grande): Conhecido como Pedra do Rui, tem trilha leve. Não há sinalização, mas o caminho é bem delimitado. Do topo é possível ver grande parte do bairro.

Fazenda São Bernardino (Est. Federal de Tinguá 2023, Nova Iguaçu): Composta por ruínas da casa grande, senzala e engenho, a fazenda foi uma das mais ricas do Rio. Na década de 1980, um incêndio arruinou o que restava da propriedade, que já havia sido abandonada e saqueada.

Vista da Rua Pires de Almeida ( Laranjeiras): Essa rua tem um charme, pois é possível tirar uma foto incrível com elegantes edifícios antigos em tons pastéis e com linda vista do Cristo Redentor ao fundo.

Pedra do Osso (Rua do Governo s/n, Realengo): A rocha de 25 metros desafia a gravidade e “se equilibra” na vertical. Faz parte da Trilha Transcarioca e é acessado após caminhada de duas horas.

Parque do Gericinó (Rua Antonio João Mendonça s/n, Nilópolis): O local tem pista para caminhada, é cercado por vegetação e cheio de animais silvestres. Há trilhas e é comum ver pessoas fazendo piquenique.

Mirante do Joá (Est. do Joá, 2360): É pequeno, está quase sempre vazio e tem vista incrível da Praia de São Conrado, do Morro Dois Irmãos, e do Clube Costa Brava.

Bosque dos Eucaliptos (Rua N. Sra. de Lourdes 500, Niterói): Passeio no Parque da Cidade de Niterói com 3,5 km. Bem sinalizada, a trilha é ideal para iniciantes e para levar a família.

A iniciativa partiu do professor de Geografia e Inglês Willian Eduardo Braga, de 37 anos, o Will Braga, morador de Campo Grande, na Zona Oeste. De férias e sem dinheiro no bolso, ele começou a pesquisar locais para conhecer. O critério principal era que o único investimento necessário fosse a tarifa do transporte público. Então, começou a compartilhar suas descobertas na internet, onde já tem mais de 80 mil seguidores.

— Não tinha dinheiro para visitar o Cristo Redentor e o Pão de Açúcar, passeios que são inacessíveis a muita gente devido ao preço. Então, pesquisei e vi que o Rio oferece inúmeras opções muito baratas e outras de graça. Visitei esses locais e surgiu a ideia da página, com a intenção de inclusão. Muitas pessoas comentam nas fotos ou mandam mensagens no privado. Geralmente falando que não sabiam da existência do lugar que, muitas vezes, ficava perto de casa.

A página tem cerca de 800 postagens de 300 lugares diferentes. Will Braga garante que visitou 99% dos pontos que sugere. O 1% é sugestão de seguidores. Além da foto do local, ele inclui um breve histórico e indicação de transporte público. É possível saber, por exemplo, como chegar a determinados pontos usando ônibus convencional, BRT, trem ou metrô e quanto será gasto em passagem. Em tempos de pandemia, nos locais que podem ter aglomeração, o post vem com a recomendação para adiar a visita para quando houver mais segurança sanitária.

A argentina Erika Romina, de 39 anos, há 7 radicada no Rio e morando atualmente em Bangu, conheceu a página quando buscava lugares históricos na cidade para uma prova da faculdade de Turismo na UniRio. Descobriu a Ponte dos Jesuítas, em Santa Cruz:

— Gostei da foto e fui visitar. A página dá indicação de como chegar de ônibus e serviu para eu não me perder.

A securitária Daniela Morgado, de 42 anos, mora em Petrópolis, mas passa os fins de semana no Rio. Em busca de um programa diferente descobriu na página o Museu do Açude, no Alto da Boa Vista, e se apaixonou pelo local:

— Descobri vários lugares que não fazia ideia que existissem. O Museu do Açude foi o primeiro, é um lugar fantástico. Impressionante a coleção (de peças de arte) que tem na casa, fora o espaço para caminhadas. Estou redescobrindo o Rio.

O militar Jean Felipe Santiago, de 28 anos, morador de Nova Iguaçu, destaca entre os locais que conheceu pela página a Gruta da Sacristia, em Maricá, o Palácio do Itamaraty, no Centro do Rio, e a Vila do Largo, no Largo do Machado. Mas também se impressionou com um lugar mais badalado.

— O Mirante Dona Marta sempre rende ângulos incríveis para fotografar. Tem um pôr do sol espetacular. É lindo, charmoso e deve ser visitado por todos — recomenda.