Veja imagens da preparação para Copa do Catar na véspera da abertura do evento

Após um longo período de espera, a Copa do Catar finalmente terá início neste fim de semana. Além da cerimônia de abertura, o time da casa recebe o Equador, pelo grupo A, na única partida deste domingo. As obras para sediar o evento, porém, foram cercadas de polêmicas e acusações de falta pagamentos a trabalhadores, a maioria deles imigrantes.

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Segundo levantamento feito pela revista Forbes, o custo total para o país sediar o mundial foi de R$ 1,22 trilhão. Os custos foram empenhados para a construção de sete novos estádios, uma rede de metrô conectando as arenas, um novo aeroporto, além de hospitais, hotéis e shoppings.

Todo esse luxo é visto em vários pontos do pequeno país do Golfo, que já recebe grande número de turistas e das delegações das seleções que disputarão o torneio. O GLOBO reuniu uma série de registros que mostram esse período que antecedeu o mundial.

Acusações de trabalhadores e polêmicas

Nos últimos anos, milhares de migrantes chegaram ao Catar para trabalhar em grandes projetos de construção para a mundial. Mas os sonhos de uma vida melhor nem sempre viraram realidade. Atraídos pela perspectiva de salários maiores do que receberiam em seus países, os migrantes representam quase 90% dos 2,8 milhões de habitantes do Catar.

O emirado do Golfo enfrenta duras críticas pelas mortes, ferimentos e não pagamento de salários aos trabalhadores estrangeiros. O Catar adotou reformas para melhorar a segurança desses profissionais e punir os empresários que infringem as leis. Também pagou centenas de milhões de dólares em indenizações por salários que não haviam sido efetuados e lesões.

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Grupos de defesa dos direitos humanos consideram que as mudanças foram pequenas e tardias. A poucos dias do jogo de abertura da Copa do Mundo, a AFP entrevistou trabalhadores migrantes da Índia, Bangladesh e Filipinas, além de suas famílias, sobre suas experiências.

As condições de trabalho “não eram nada boas”, explica Sravan Kalladi, que perdeu o pai Ramesh, que trabalhava na mesma empresa, construindo estradas no país. Ele descreveu longas jornadas de trabalho e horas extras que não eram remuneradas da maneira correta. O pai, que era motorista, “costumava sair para trabalhar às 3h e retornava apenas às 23h. Entre seis e oito pessoas viviam juntas em um quarto no acampamento, onde “quatro pessoas não conseguiam sentar ao mesmo tempo”.

Restrições

Às vésperas do início da Copa do Mundo, o Catar anunciou uma série de itens que estão proibidos. Pressionada pelas autoridades locais, a Fifa informou que a venda de cerveja com álcool não será permitida nos perímetros dos estádios, sendo comercializadas apenas no Fan Festival e em outras áreas voltadas a torcedores. Nas arenas, uma versão zero álcool da cerveja oficial do torneio será a única opção.

“Após discussões entre o país anfitrião e a Fifa, foi decidido focar a venda de bebidas alcoólicas nos FIFA Fan Festival no lugar de outros destinos e áreas licenciadas do torneio, removendo pontos de vendas de cerveja dos perímetros dos estádios. Não haverá impacto nas vendas de Bud Zero, que seguirá disponível em todos os estádios da Copa do Mundo do Catar”, diz o comunicado.

Porém, além das bebidas alcoólicas, outros oito itens também estão restritos no país. Alguns deles já eram esperados devido ao risco que representam em grandes eventos, como “armas com suas respectivas munições”, “substâncias radioativas” e “entorpecentes e substâncias psicotrópicas (a menos que o uso necessário seja documentado por prescrições médicas)”.

No entanto, outros pontos da lista chamam a atenção, como “material para apostas” (sem limitar, claro, a posse de dinheiro em espécie), “produtos falsificados” e “imagens de extrema violência, crueldade ou pornografia”.

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Além deles, há também os relacionados à sacralidade, sendo proibidos “objetos que podem ser ofensivas a outras religiões e cultos”. Por fim, um dos que também deve ser sentido por visitantes e até por delegações, vem a “carne de porco e seus derivados”.

Segundo o Corão, livro sagrado do Islamismo, o consumo do produto é vedado — a restrição também está prevista no Judaísmo. A decisão da Fifa, porém, afeta diretamente algumas delegações de países que irão disputar a Copa. Para a Espanha, por exemplo, a carne de porco é recorrente nos pratos da culinária local, e seria utilizado caso não houvesse a proibição.