Veja lista de ex-bolsonaristas derrotados nas eleições de 2022

***FOTO DE ARQUIVO*** SÃO PAULO, SP, 21.09.2022 1:01:09 - Urna eletrônica. (Foto: Rivaldo Gomes/Folhapress)
***FOTO DE ARQUIVO*** SÃO PAULO, SP, 21.09.2022 1:01:09 - Urna eletrônica. (Foto: Rivaldo Gomes/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Candidatos que se elegeram na onda bolsonarista de 2018 ou integraram o governo do presidente Jair Bolsonaro (PL) e depois romperam com o chefe do Planalto não conseguiram se eleger neste domingo (2).

Deputada federal mais votada em São Paulo há quatro anos, com mais de 1 milhão de votos, a jornalista Joice Hasselmann (PSDB) obteve pouco mais de 13 mil votos e ficou longe da reeleição.

Mesmo destino teve o deputado federal Alexandre Frota (PSDB), que passou dos mais de 155 mil votos em 2018 para 24 mil agora, insuficientes para a eleição como deputado estadual em São Paulo.

Crítico do presidente desde a pandemia, o ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta (União Brasil) perdeu a disputa ao Senado por Mato Grosso do Sul para Tereza Cristina, ex-titular da Agricultura.

Já o ex-ministro da Educação Abraham Weintraub, que passou a fazer críticas públicas ao ex-chefe neste ano, fracassou na tentativa de se eleger deputado federal por São Paulo.

ABRAHAM WEINTRAUB (PMB)

Candidato a deputado federal por São Paulo pela primeira vez, o ex-ministro da Educação Abraham Weintraub obteve pouco mais de 4.000 votos e não foi eleito. Arthur Weintraub, irmão de Abraham, teve 1.900 apoios e não se elegeu. Abraham, que integrou a chamada ala ideológica do governo Bolsonaro, esteve à frente do MEC por 14 meses, em meio a polêmicas e ataques contra variados alvos.

Demitido depois de intenso desgaste com ministros do STF (Supremo Tribunal Federal), chamados de "vagabundos" pelo ex-ministro durante reunião do governo, ele foi alocado no Banco Mundial, nos EUA. O rompimento com o governo só viria neste ano, quando ele passou a criticar abertamente Bolsonaro.

Em uma live, questionado se Bolsonaro "rouba ou deixa roubar", Abraham Weintraub respondeu: "Rabo de porco, orelha de porco, pé de porco, focinho de porco… Se não é porco, é feijoada".

ALEXANDRE FROTA (PSDB)

Eleito deputado federal pelo PSL em 2018 com mais de 155 mil votos, Alexandre Frota (PSDB) dessa vez recebeu 24.224 votos, insuficientes para assumir uma cadeira na Assembleia Legislativa de São Paulo.

Frota foi um dos primeiros parlamentares a deixar a base de Bolsonaro —ele foi expulso da sigla, da qual Bolsonaro fazia parte, em agosto de 2019, depois de criticar a gestão do presidente. Disse, por exemplo, que o escritor Olavo de Carvalho (1947-2022) deveria ter menos influência no governo.

Também criticou a indicação de Eduardo Bolsonaro, filho do presidente, para o cargo de embaixador do Brasil nos Estados Unidos. Em 2020, Frota chegou a fornecer à Polícia Federal informações obtidas pela CPMI das Fake News que ligariam Eduardo ao esquema.

DELEGADO WALDIR (UNIÃO BRASIL)

Pivô do rompimento de Bolsonaro com o PSL, em 2019, o deputado federal Delegado Waldir (União Brasil) obteve 539.219 votos neste domingo e acabou em terceiro lugar na disputa pelo Senado em Goiás, vencida por Wilder Morais (PL). Em 2018, foi o deputado mais votado no estado, com 274 mil votos.

Em outubro de 2019, então líder do PSL na Câmara, Waldir se disse traído por Bolsonaro e afirmou que ministros atuavam para derrubá-lo da liderança do partido. As declarações foram dadas após o vazamento de um áudio em que dizia que iria implodir o governo e chamava Bolsonaro de vagabundo.

JANAINA PASCHOAL (PRTB)

Protagonista do processo de impeachment de Dilma Rousseff (PT), a professora de direito penal Janaina Paschoal viu os mais de 2 milhões de votos recebidos em 2018, que a tornaram a deputada estadual mais votada na história, minguarem para 447,5 mil neste domingo. Com o resultado, terminou em quarto lugar na disputa pelo Senado em São Paulo, vencida pelo ex-ministro da Ciência Marcos Pontes (PL).

Cotada para vice de Bolsonaro há quatro anos, Janaina passou a condenar o presidente pela condução do combate à pandemia de Covid-19, o que fez dela persona non grata entre bolsonaristas.

Também criticou Bolsonaro pelas suspeitas de corrupção envolvendo o presidente e a família dele. Em entrevista à Folha de S.Paulo, Janaina disse, por exemplo, que acusações de rachadinha contra Flávio Bolsonaro impactaram negativamente o governo. "De certa forma impactou o [meu] apoio, porque eu tenho a luta contra a corrupção e pela transparência como algo primordial."

JOICE HASSELMANN (PSDB)

Uma novidade da onda bolsonarista de 2018, Joice Hasselmann (PSDB) passou dos 1 milhão de votos que fizeram dela a deputada federal mais votada em São Paulo para 13,6 mil eleitores, fracassando na tentativa de reeleição.

Joice chegou a ser nomeada líder do governo no Congresso em 2019, mas foi substituída depois de apoiar a manutenção de Delegado Waldir como líder do PSL na Câmara. O presidente queria no posto um de seus filhos, o deputado Eduardo Bolsonaro. A deputada rompeu com a família Bolsonaro naquele mesmo ano, após ser atacada pelos filhos do presidente nas redes sociais.

Ela deixou o PSL em 2021, acusando a sigla de ser cúmplice das traições do presidente.

LUIZ HENRIQUE MANDETTA (UNIÃO BRASIL)

Na disputa pela cadeira de Mato Grosso do Sul no Senado, o ex-ministro Luiz Henrique Mandetta (Saúde) foi derrotado pela ex-ministra Tereza Cristina (Agricultura), aliada do presidente e candidata do PP, que recebeu 61% dos votos. Mandetta foi a escolha de pouco mais de 206 mil eleitores, equivalente a 15%.

Mandetta rompeu com Bolsonaro no primeiro mês da pandemia de Covid-19 no Brasil, por não concordar com a política do presidente contrária a medidas de distanciamento social para conter a pandemia.

SORAYA THRONICKE (UNIÃO BRASIL)

Eleita senadora por Mato Grosso do Sul pelo PSL em 2018, com 373 mil votos, Soraya terminou em quinto lugar em sua primeira disputa presidencial. Obteve quase 601 mil votos, menos de 1% dos votos válidos.

A candidata ficou conhecida por atuar em movimentos de rua contra o PT e chegou a ser vice-líder do governo Bolsonaro, mas entrou na mira de bolsonaristas radicais durante a CPI da Covid, durante a qual não endossou a estratégia do governo de desviar o foco da investigação.

Durante a campanha, protagonizou embates diretos com Bolsonaro e candidatos que o apoiavam. Nesta segunda-feira (3), o presidente se referiu à senadora como Soraya 'trambique'.