Veja o que é #FATO ou #FAKE na entrevista de André Janones à CBN

O candidato do Avante à Presidência, André Janones, foi entrevistado pela CBN nesta quinta-feira (23).

A entrevista foi feita pelos jornalistas Milton Jung e Cássia Godoy.

A equipe do Fato ou Fake checou as principais declarações de André Janones. Leia:

“A gasolina hoje está no patamar mais alto da história.”

A declaração é #FATO. Veja o porquê: Abril de 2022 foi o mês com o maior preço médio do litro da gasolina de toda a série histórica da ANP, cujo levantamento mensal em postos de combustível começou em 2001. Em abril, o valor da gasolina chegou a R$ 7,356 (em valores reais, corrigidos pela inflação). Já em maio, fechou em R$ 7,278. O preço médio real do litro da gasolina está próximo ou acima de R$ 7 desde novembro do ano passado, patamar que nunca havia sido atingido no país antes.

“Fazendo os cruzamentos do último Datafolha, 25%, quase 25% de quem sabe que o Janones existe vota nele.”

A declaração é #FAKE. Veja o porquê: De acordo com o último Datafolha, o número de pessoas que declarou intenção de voto em Janones corresponde a 6,4% do total de pessoas que afirmam conhecê-lo, e não a 25%, como afirmou o candidato. A pesquisa foi feita em 25 e 26 de maio e ouviu 2.556 pessoas em todo o país.

Na ocasião, 31% disseram que conheciam o pré-candidato muito bem, um pouco ou pelo menos já tinham ouvido falar dele, o que corresponde a 792 pessoas. Os 25% citados pelo pré-candidato equivalem a 198 pessoas. No entanto, apenas 2% dos entrevistados declararam voto em André Janones - o que dá 51 pessoas. Portanto, o número de pessoas que declaram intenção de voto em Janones equivale a apenas 6,4% dos que dizem conhecer o candidato.

“Uma ação que tem uma questão mais simbólica para mim (...) é a taxação de veículos como lanchas, jatinhos, helicóptero. (...) Sei que já tem julgamento declarando inconstitucional esta cobrança.”

A declaração é #FATO. Veja o porquê: Em julgamento que iniciou em 2006 e terminou em 2008, o Supremo Tribunal Federal (STF) declarou que o Imposto de Propriedades de Veículos Automotores (IPVA) não pode ser cobrado sobre embarcações – lanchas e aeronaves -, restringindo-se apenas aos veículos terrestres.

"90% das minhas emendas foram destinadas para saúde e educação."

A declaração é #FAKE. Veja o porquê: De acordo com levantamento feito no Infoleg Orçamento, aplicativo que contém informações sobre execução de emendas, entre 2020 e 2022, o deputado federal André Janones destinou, individualmente, um total de R$ 60.621.912 em recursos ao estado de Minas Gerais. Deste total, R$ 29.382.547 foram para a saúde e R$ 1.600.000 para educação. O total das duas corresponde a 51,1% do total.

O restante, R$ 19.639.365 foi destinado a áreas diversas, como cidadania, assistência social, Justiça e segurança.

O aplicativo considera os valores de emendas autorizados, empenhados, liquidados e pagos. No ano de 2019, não constam, no levantamento feito pelo aplicativo, emendas individuais em nome do deputado federal em nenhum destes estágios. Nos demais anos, foram consideradas os recursos autorizados.

“Tem nas minhas redes sociais. Você consegue encontrar eu usando a tribuna no mês de fevereiro. Fui o único entre os deputados para falar de uma maneira muito combativa, para alguns talvez até agressiva, contra o presidente Bolsonaro por ter vetado a lei Paulo Gustavo.”

A declaração é #FAKE. Veja o porquê: Embora a menção seja ao mês de fevereiro, o veto de Jair Bolsonaro à lei Paulo Gustavo ocorreu em abril, quando Janones criticou a medida na Câmara dos Deputados. No entanto, ele não foi o único. Outros deputados também manifestaram-se contrários ao veto, como Lídice da Mata (PSB-BA), Enio Verri (PT-PR) e Zé Neto (PT-BA).

As declarações deles podem ser acessadas no vídeo da sessão plenária de 6 de abril, postado no canal da Câmara dos Deputados no YouTube. Lídice da Mata defendeu a derrubada do veto “com dignidade” para “garantir às centenas e milhares de artistas brasileiros o direito de continuar trabalhando”. Para Enio Verri, o veto de Bolsonaro “foi um tapa na cara do povo brasileiro”. Já Zé Neto destacou que o principal do PL é “fazer justiça com um setor que, sem nenhuma dúvida, ainda continua sendo muito prejudicado pela pandemia”.

Ainda em 6 de abril, Janones publicou o trecho de sua fala sobre o veto à lei Paulo Gustavo em suas redes sociais, em que ressaltou a participação de “trabalhadores envolvidos na produção artística” do setor cultural brasileiro que vão além da “estrela principal de um espetáculo”, mencionando os pipoqueiros, vendedores de ingresso, entre outros.

Mais uma vez, porém, ele não foi o único deputado federal a repudiar a ação do presidente da República. No Twitter, aparecem postagens de vários deputados federais que também criticaram Bolsonaro.

Benedita da Silva (PT-RJ) postou que a “mobilização para derrubar esse veto” já havia começado. Para Ivan Valente (PSOL-SP), a atitude de Bolsonaro foi uma "vergonha". Natália Bonavides (PT-RN) descreveu Bolsonaro como "inimigo da cultura", enquanto Orlando Silva (PCdoB-SP) o chamou de "canalha que infelicita a nação".

Alexandre Padilha escreveu que o veto seria "mais um absurdo desse governo que odeia tudo, especialmente a arte". E Erika Kokay (PT-DF) classificou o governo como "autoritário", que "morre de medo da cultura livre e questionadora".

“Entrei na política como um homem sem posses e sou até hoje praticamente um homem sem posse nenhuma.”

#NÃOÉBEMASSIM. Veja o porquê: Em 2016, quando Janones disputou uma eleição pela primeira vez - para prefeito de Ituiutaba, em Minas Gerais - ele declarou ter mais de R$ 511 mil em bens. Entre eles, estavam uma poupança de R$ 150 mil, um veículo HYUNDAI IX-35B de R$ 78 mil, uma caminhonete de R$ 35 mil, 25% de uma casa (no valor de R$ 87,5 mil) e R$ 75 mil em dinheiro.

Já nas eleições de 2018, Janones declarou à Justiça Eleitoral ter R$ 175 mil reais em bens, incluindo um terreno de R$ 80 mil e dois veículos automotores - um de R$ 65 mil e outro de R$ 30 mil.

*Clara Velasco, Felipe Grandin, Júlia Cople, Louise Queiroga, Cirilo Junior, Patrícia Fiúza e Victor Farias.

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