Veja o que é #FATO ou #FAKE na entrevista de Ciro Gomes à CBN

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O candidato do PDT à Presidência, Ciro Gomes, foi entrevistado pela CBN nesta terça-feira (21).

A entrevista foi feita pelos jornalistas Milton Jung e Cássia Godoy.

A equipe do Fato ou Fake checou as principais declarações de Ciro Gomes. Leia:

“Hoje, 77,8% das famílias brasileiras estão no limite recorde de endividamento. Isso significa que 65 milhões de pessoas estão hoje humilhadas no SPC.”

A declaração é #FATO. Veja o porquê: Levantamento da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) divulgado em maio mostra que o número de brasileiros endividados bateu novo recorde em abril: 77,7% das famílias brasileiras fecharam o mês com alguma dívida, contra 77,5% de março.

Em abril, o Mapa da Inadimplência e Renegociação de Dívidas do Serasa informou que o Brasil chegou a 65,6 milhões de pessoas inadimplentes.

“Neste momento, 23 dos 27 estados estão quebrados.”

#NÃOÉBEMASSIM”. Veja o porquê: De acordo com o Tesouro Nacional, cinco estados brasileiros estão com a dívida consolidada em mais de 50% em relação à receita corrente líquida. Os demais não chegam a 50% do valor da dívida consolidada. Segundo a legislação, o limite legal é de 200%.

Os últimos dados do Tesouro Nacional, referentes a 2021, dão conta que o Rio de Janeiro está com o índice em 198,6%, Rio Grande do Sul com 182,5%, Minas Gerais com 169,34%, São Paulo com 126,63% e Santa Catarina com 53,08%. O índice do Distrito Federal, que Ciro Gomes disse que também estaria com ajuste fiscal mortal, é de 20,63% da receita consolidada.

São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Rio Grande do Sul têm liminares na Justiça sobre extensão de prazo para pagamento da dívida com a União.

“São quase 11 anos sem crescer nada.”

A declaração é #FATO. Veja o porquê: Segundo o IBGE, o nível da economia brasileira no final de 2021 estava no mesmo patamar que no final de 2012.

Um levantamento feito pela Fundação Getúlio Vargas também mostrou que, entre 2011 e 2020, o Produto Interno Bruto (PIB) teve uma média de crescimento de 0,3%. Foi a pior década em 120 anos.

“Hoje existem 14 mil obras paradas no Brasil (...) e estão paralisadas basicamente pela desconstrução dos fluxos de investimento do governo federal.”

#NÃOÉBEMASSIM. Veja o porquê: Segundo uma auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU) feita em 2019, das 38,4 mil obras financiadas com recursos federais, mais de 14 mil (37,5%) foram consideradas paralisadas ou inacabadas. Os contratos somavam R$ 144 bilhões — incluindo escolas, hospitais, pontes, praças, estradas, entre outros equipamentos e serviços públicos.

Segundo informações da Agência Senado, em 2021, a Corte de Contas promoveu uma nova investigação que apontou que, dos 27 mil contratos analisados, apenas 7 mil estavam parados. Mas, segundo os auditores, 11 mil contratos financiados pela União desapareceram dos bancos de dados oficiais desde a auditoria de 2019. Por isso, não é possível comparar os dois dados.

Quanto à questão dos investimentos, tanto os dados do TCU de 2019 quanto de um estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), que identificou cerca de 15 mil obras paralisadas entre 2015 a 2019, mostram que o maior motivo da paralisação de obras no país está na área técnica, correspondendo a cerca de 47% dos casos.

Segundo a pesquisa do Ipea, “de um total de 15.025 obras paralisadas (...), somente 1.516 obras [10,1% do total] estariam na condição de paralisia por motivo de restrição orçamentária corrente ou de financiamento”. O relatório do TCU aponta um percentual semelhante, de 10%.

Ainda de acordo com o Ipea, embora haja indícios de que a restrição orçamentária atue de forma negativa e mais efetiva no desempenho das obras de maior valor unitário, também há indícios de que as restrições técnicas estejam impactando mais os projetos de menor valor. Por isso, o estudo aponta que “um eventual alívio da restrição orçamentária dos projetos em curso, com vistas à aceleração dos investimentos públicos no país, seria impotente para destravar algo como 13.510 obras paralisadas”.

“Nós estamos tirando um barril de pré-sal por US$ 10 dólares o custo. E aí, a gente, se botar imposto, frete, lucros, distribuição, etc, chega a US$ 30.”

A declaração é #FATO. Veja o porquê: O candidato se referia ao baixo custo de produção de barril de petróleo que, de fato, era de US$ 10 em 2014. Mas no último trimestre do ano passado e no primeiro deste ano, chegou a US$ 5, valor ainda menor que o mencionado pelo candidato.

Já o custo total do petróleo produzido atingiu US$ 35 no final do ano passado e saltou para US$ 41 nos primeiros três meses deste ano.

"O governo tem nos imposto há 30 anos a pior taxa de juros do mundo.”

#NÃOÉBEMASSIM. Veja o porquê: Os dados mais atualizados do Banco Mundial mostram que o Brasil tinha uma das maiores taxas de juros reais em 2020, de 23,1%. Ainda assim, ficava atrás de países como Guiana (48,5%), Madagascar (42,7%), Timor Leste (35,6%) e Azerbaijão (26,8%).

Atualmente, de fato, o Brasil lidera o ranking das maiores taxas de juros reais ao ano, descontada a projeção de inflação, segundo um compilado de dados de 40 países feito pela gestora Infinity Asset Management e referentes a maio de 2022.

No entanto, nem sempre foi assim: em março, por exemplo, o país foi superado pela Rússia em função do aumento de juros operado por Moscou em meio à guerra na Ucrânia. Mais adiante, o governo russo decidiu cortar a taxa de 20% para 14% ao ano, e o Brasil voltou a encabeçar a lista.

Segundo este levantamento da Infinity Asset, o país já tinha liderado o ranking em outras ocasiões, como em outubro do ano passado. O Brasil foi ultrapassado em dezembro pela Turquia, mas a liderança turca durou pouco: em fevereiro deste ano, o Brasil retomou o número 1 com os sucessivos aumentos do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central para segurar a inflação.

Em anos anteriores, porém, o Brasil chegou a ocupar posições mais baixas. Em fevereiro de 2018, por exemplo, o país caiu para quinto lugar, quando atingiu a sua melhor posição desde que o levantamento começou a ser feito, em 2005. Já em 2009, o país chegou a liderar o ranking com 4,9% ao ano, mas caiu para a terceira posição em abril, superado pela China (6,9%) e pela Hungria (5,9%).

“A cesta básica brasileira (...) subiu hoje quase 30% para a população mais pobre do Brasil.”

A declaração é #FATO. Veja o porquê: De acordo com uma pesquisa da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), o índice de inflação da cesta básica, no acumulado de 12 meses até maio, foi de 26,75%.

Além disso, um estudo divulgado em maio pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) mostra que o valor da cesta básica aumentou em todas as 17 capitais pesquisadas pela entidade. Em um ano, enquanto a prévia do IPCA acumulou alta de 12%, a inflação da cesta básica foi superior. Campo Grande acumula a maior alta: quase 30%. Seguido por São Paulo, Curitiba, Brasília e Salvador — todas com alta de mais de 25%.

"O Brasil antes da pandemia, e continuamos, importa do estrangeiro US$ 17 bilhões no complexo industrial da saúde."

A declaração é #FATO. Veja o porquê: Segundo o Centro de Estudos Estratégicos da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) com dados até 2019, o déficit na balança comercial do setor é de US$ 15 bilhões ao ano, com períodos em que as importações ficaram próximas ao número mencionado por Ciro. Em outro estudo da Fiocruz, publicado em 2021, a instituição apontou que, em 2020, primeiro ano da pandemia no Brasil, a importação total na área foi de US$15 bilhões, valor que, somado aos royalties e tecnologias pagos pelo Brasil, chega a US$ 20 bilhões (cerca de R$100 bilhões).

*Clara Velasco, Felipe Grandin, Júlia Cople, Louise Queiroga, Cirilo Junior, Patrícia Fiúza e Victor Farias.

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