Veja o que empresas começam a fazer na direção da diversidade racial

Ana Carolina Diniz
·3 minuto de leitura
Foto: Agência O Globo
Foto: Agência O Globo

Para diminuir as desigualdades raciais no mercado de trabalho as empresas precisam agir. E não só para cumprir uma função social. Estudos já mostraram que empresas que investem em diversidade têm maior capacidade de inovação e de identificar oportunidades e riscos.

Este ano, particularmente após o início das manifestações antirracisas no mundo desencadeadas pelo assassinato do cidadão negro George Floyd nos Estados Unidos, as empresas se viram pressionadas a adotar medidas concretas em prol da equidade racial.

Internamente, as ações são mais concentradas no recrutamento de estagiários e trainees. Há ainda poucas ações concretas para acelerar a diversidade nas diretorias e conselhos de administração, mas o tema ganha corpo com ações como a criação de grupos de afinidade étnico-raciais e comitês de diversidade nas companhias.

Em setembro, ao anunciar a abertura de um programa de trainees destinados somente a candidatos negros, a gigante varejista Magazine Luiza sofreu forte reação nas redes sociais, com manifestações de apoio e tambem críticas acompanhadas de questionamentos jurídicos. Na mesma semana, a Bayer lançou um programa similar.

Já o Nubank anunciou um investimento de R$ 20 milhões em uma série de iniciativas de combate ao racismo estrutural dentro e fora do banco digital, numa reação à repercussão negativa que uma declaração da cofundadora da empresa Cristina Junqueira provocou.

No centro do programa Roda Viva, da TV Cultura, em outubro, ela afirmou que tinha dificuldades de contratar pessoas negras. Questionada se não era o alto nível de exigência o obstáculo, respondeu que não poderia "nivelar por baixo".

Veja abaixo as ações afirmativas anunciadas por algumas empresas:

Abriu um processo de estágio com 80 vagas destinadas exclusivamente a negros.

Neste ano, lançou o Programa Liderança Negra, com 19 vagas de trainee exclusivas para negros.

Tem o programa de Estágio Novos Ares, que atingiu o percentual de 40% de estagiários negros em 2020. A White Martins abriu 10 vagas adicionais de estágio para jovens universitários afrodescendentes.

Em junho de 2020, anunciou em nível global a criação do cargo de CDO (Chief Diversity Officer) em âmbito corporativo e cada unidade de negócio no mundo já conta com essa posição também.

Focus Group & Afro Career Forms são espaços criados pela multinacional para ouvir, identificar e criar oportunidades e ações para desenvolvimento de carreira de negros.

A empresa de telefonia abriu processo de estágio com a meta de preencher 50% das 150 vagas com pessoas negras em todo o país.

Em seu programa de estágio deste ano, a companhia de beleza tem o objetivo de que metade dos estudantes contratados sejam pessoas que se autodeclarem negras.

Empresa de laminados e reciclagem de alumínio destinou 50% das vagas do programa de estágios a estudantes que se autodeclaram pretos ou pardos.

O banco fez treinamentos on-line para todos os colaboradores sobre vieses inconscientes, a importância da diversidade e inclusão (dentro e fora do mercado de trabalho), indicadores e dados sobre grupos sub-representados, liderança inclusiva e histórico da discussão nas organizações. Em seu plano de atuação estratégica, criou uma área específica de Diversidade e Inclusão

O CBP (Connected Black Professionals), programa global da Cisco, lançado há um ano no Brasil, pretende acelerar o desenvolvimento de profissionais negros.

O recrutamento e seleção foram reformulados, com a flexibilização de exigências como a língua inglesa, entre outras mudanças na escolha de trainees e estagiários. Lançou no ano passado o Programa de Mentoria para Profissionais Negros, focado no desenvolvimento de carreira.

No programa de trainee este ano, destinou 30% do total das vagas ao público negro.

Em 2020, investiu em torno de R$ 100 mil em ações de inclusão racial a partir do programa Enegrecer a Tecnologia, criado em 2018, que atua em várias frentes para aumentar o conhecimento e a participação de profissionais negras na empresa ThoughtWorks, principalmente mulheres negras.