Veja o que fazer para não ficar parado na estrada na viagem de fim de ano

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Motorista que deixa a própria casa para passar os feriados de fim de ano em algum lugar distante pode até pensar que carro é coração de mãe. E dá-lhe malas e mais malas com tudo que a imaginação permitir, além de complementos que incluem as tradicionais caixas térmicas e bóias infláveis de flamingo -e os triciclos das crianças, é claro.

O problema é que, muitas vezes, em meio a tanta euforia para sumir no mapa, alguns detalhes passam despercebidos. E se eles envolverem o veículo, a dor de cabeça pode surgir ainda na estrada, muito antes dos hectolitros de espumante ingeridos na virada do ano.

Quem pega o volante deve, antes de qualquer coisa, levar o veículo para uma revisão -mesmo que faça regularmente a mais que recomendada manutenção preventiva.

Depois, vale prestar atenção em coisas que podem parecer simples, mas que são capazes de causar um grande transtorno. Uma simples palheta ressecada de limpador de para-brisas pode mandar o carro para o acostamento durante um temporal, colocando todo mundo em risco.

As estatísticas dão conta do tamanho da encrenca. De janeiro a novembro de 2021, só a concessionária Ecovias, que cuida do sistema Anchieta-Imigrantes, teve que atender um motorista a cada oito minutos por causa de panes mecânicas, elétricas, falta de combustível ou problemas nos pneus.

De forma geral, as panes mecânicas são as principais causas de paradas no acostamento. Só nas rodovias administradas pela concessionária Autoban, por exemplo, elas representam praticamente 7 em cada 10 atendimentos. Elas incluem superaquecimento do motor e freio que não responde de forma adequado, por exemplo.

Outros problemas são bastante frequentes. A cada 74 minutos, um motorista foi socorrido por problemas nos pneus nas estradas concedidas à Ecovias. Nas rodovias da Autoban, o intervalo é ainda menor, de apenas 34 minutos.

Quem está acostumado a socorrer motoristas já viu de tudo. Coordenador de Tráfego da Ecovias, Márcio Vono conta que atendeu certa vez uma senhora que havia acabado de comprar um carro e confundiu o marcador de temperatura com o de combustível, ficando sem gasolina no meio da estrada.

Outro problema corriqueiro é, por assim dizer, ter o limão e não conseguir fazer a limonada. "A pessoa não sabe nem como mexer na chave de roda. Compra o carro, mas não sabe onde estão os itens de segurança para fazer um desmonte de pneu", diz Vono. Ele afirma que é muito comum também encontrar motoristas com o estepe murcho.

Coordenador de Tráfego da CCR AutoBAn, João Moacir da Silva explica que, feita a revisão, com tudo em dia, um pequeno check-up antes de pegar a estrada pode evitar uma parada nos boxes. "Muitas vezes, é só verificar o nível de água, de combustível, dar seta para a direita e para a esquerda, medir o farol na parede. Já garante a viagem mais tranquila."

Lembra de tudo que foi colocado no veículo lá no início, ainda na garagem de casa? Pois esse sobrepeso pode causar problemas que vão além do desgaste prematuro das peças e do aumento do consumo de combustível. Se a carga está distribuída principalmente na traseira do carro, a frente pode ficar suspensa o suficiente para impedir um contato ideal dos pneus com o asfalto. "Você fica sem volante. Isso dificulta demais a direção", explica Silva.

Parar no acostamento por falta de combustível não é o principal motivo de atendimento nas estradas. Mas é um problema que cresceu bastante em 2021, na comparação com o período pré-pandemia. O motorista deve calcular bem a autonomia do veículo para evitar uma pane seca, que, além do óbvio inconveniente, pode gerar multa de R$ 130,16 (infração média, com punição de quatro pontos na Carteira Nacional de Habilitação) e o guinchamento até o posto mais próximo.

A Ecovias apontou um aumento de 16,4% na quantidade de atendimentos provocados por pane seca, na comparação 2021 e 2019. Na Autoban, houve um acréscimo de 11,7% no mesmo período. Na Ecopistas, que administra o corredor Ayrton Senna/Carvalho Pinto, o crescimento no número de casos foi de 13,7%, mesmo com uma redução de 7,5% no volume de veículos.

Segundo os responsáveis pelo atendimento aos usuários das concessionárias Autoban e Ecovias, não é possível estabelecer relação direta entre a maior frequência dos casos de pane seca com o aumento no preço dos combustíveis neste último ano.

Para Silva, a programação é fundamental, lembrando que, na estrada, nem sempre os postos estão tão próximos uns dos outros, como acontece na cidade.

Os especialistas em atendimento a motoristas nas estradas lembram que é sempre bom colocar um pouco mais de combustível do que o necessário. Uma reserva estratégica é fundamental para encarar congestionamentos que não estavam nos planos, algo muito comum nesta época do ano.

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