Veja o que já se sabe sobre a nova mutação do coronavírus encontrada no Rio

Ana Lucia Azevedo
·3 minuto de leitura
NIAID/NIH

Cientistas descobriram uma nova mutação do coronavírus no estado do Rio de Janeiro. A nova cepa do vírus que transmite a Covid-19 derivou da B.1.1.28, a linhagem que já estava em circulação no Brasil desde o início do ano. O estudo não indica que a nova variante seja mais transmissível ou agressiva, apenas relata sua descoberta.

Como para as demais linhagens do Sars-CoV-2, tampouco há indícios de que esta possa reduzir a eficácia das vacinas que começam a chegar no mundo, frisam os pesquisadores.

  • De onde vieram os genomas analisados?

De coronavirus extraídos de 180 pessoas: 82 homens e 98 mulheres, de 19 municípios do estado do Rio de Janeiro. A maioria (60,6%) são da capital.

A pesquisa foi realizada em parceria com a Secretaria de Saúde do estado, de abril a novembro, com as amostras coletadas no Centro de Triagem e Diagnóstico (CTD) para a Covid-19 da UFRJ, do Laboratório Central Noel Nutels, e do Laboratório de Diagnóstico Molecular Doutor Francisco Rimolo Neto, em Maricá.

  • Qual a origem da nova linhagem?

“Estimamos que a cidade do Rio de Janeiro representa a fonte primária das linhagens do vírus em circulação dentro do estado”, diz o estudo. Se trata de um trabalho de análise da forma como o vírus sofre alterações à medida que se replica, evolui e forma novas populações.

  • A nova linhagem afeta a capacidade de transmissão ou de agravar a Covid-19?

O estudo não investigou isso. A linhagem chama a atenção porque uma de suas mutações está numa região específica de uma proteína do coronavírus, a espícula ou S, necessária para que ele possa infectar as células humanas. Mas isso não quer dizer necessariamente que o torne mais contagioso ou que a infecção seja mais grave.

Leia também

  • E as mutações encontradas podem afetar a resposta de defesa do organismo?

Tampouco se sabe se afeta a resposta do sistema imune. No estudo, os cientistas dizem que “também identificamos a mutação G23012A (E484K) na região RBD da proteína espícula. Essa alteração foi previamente associada com o escape de anticorpos neutralizantes contra o Sars-CoV-2.

Porém, novas análises são necessárias para saber se mudanças em novas linhagens têm efeito importante sobre a infectividade do vírus, a resposta imune ou a severidade da doença.” Ou seja, é preciso continuar o estudo para descobrir.

  • Por que mutações na proteína S são tão importantes?

Porque essa proteína é a chave que o coronavírus usa para entrar nas células. Especialmente importante é uma região da proteína chamada RDB. A RDB é a parte específica que o Sars-CoV-2 usa para se prender e entrar nos chamados receptores ACE2, a “porta” de entrada nas células humanas.

Tanto a linhagem brasileira quanto a britânica apresentam mutação na região RDB. Como a proteína S é essencial para a infecção, é alvo de muitas das vacinas contra o coronavírus.

  • Essa mutação pode afetar a eficácia de vacinas?

As vacinas são projetadas para estimular uma resposta muito mais completa e cientistas acreditam que pode levar anos até que o coronavírus possa mudar o suficiente para torna-las ineficientes.