Veja o que se sabe sobre o rombo de R$ 20 bilhões na Americanas

A Companhia estima que o efeito caixa dessas inconsistências seja imaterial.

Rombo de 20 bilhões em balanço das Lojas Americanas resultou em demissão do presidente da empresa - Foto: Rafael Henrique/SOPA Images/LightRocket via Getty Images
Rombo de 20 bilhões em balanço das Lojas Americanas resultou em demissão do presidente da empresa - Foto: Rafael Henrique/SOPA Images/LightRocket via Getty Images

Após a Americanas comunicar, nesta quarta-feira (11) ter identificado rombo de R$ 20 bilhões durante uma análise preliminar, com data-base de 30 de setembro de 2022, o economista e presidente da empresa, Sérgio Rial, renunciou ao cargo.

Ele deverá assessorar de forma independente o corpo acionário da companhia, composto pelos bilionários Jorge Paulo Lemann, Beto Sicupira e Marcel Telles.

O que se sabe

Rial havia assumido o cargo em 2 de janeiro. A indicação de Rial foi informada ao mercado em agosto de 2022. De acordo com a empresa, a escolha "foi cuidadosamente conduzida dentro da governança estabelecida" pelo grupo;

Ele substituiu Miguel Gutierrez, que estava na Americanas havia quase 30 anos.

O economista é presidente do Conselho de Administração do Santander Brasil, onde vai continuar.

O diretor André Covre também pediu demissão. Ambos serão substituídos interinamente por João Guerra;

O executivo trabalhou nas áreas de tecnologia e RH, sem envolvimento anterior com a gestão financeira;

A Companhia estima que o efeito caixa dessas inconsistências seja imaterial. O valor patrimonial da Americanas está em R$ 14 bilhões, mas os R$ 20 bilhões apontados preliminarmente não serão necessariamente abatidos do patrimônio.

A Americanas prevê a divulgação de resultados de 2022 em 29 de março.

A área contábil identificou a existência de operações de financiamento de compras em valores da ordem de R$ 20 bilhões, nas quais a companhia é devedora perante instituições financeiras e que não se encontram adequadamente refletidas na conta fornecedores nas demonstrações financeiras de 30 de setembro do ano passado.

Comitê deve apurar as ‘inconsistências’

Apesar das incertezas ainda bastante grandes sobre os impactos das “inconsistências”, a Americanas afirmou que, apesar de não conseguir determinar todos os impactos no balanço, acredita que o efeito caixa seja imaterial e citou a criação de um comitê independente para realizar as apurações.

“As estimativas acima estão sujeitas a confirmações e ajustes decorrentes da conclusão de trabalhos de apuração e dos trabalhos a serem realizados pelos auditores independentes, após o que será possível determinar adequadamente todos os impactos que tais inconsistências terão nas demonstrações financeiras da companhia”, disse a empresa.

“Ainda não é possível determinar todos os impactos de tais inconsistências na demonstração de resultado e no balanço patrimonial. Entre as inconsistências, a área contábil identificou a existência de operações de financiamento de compras em valores da mesma ordem acima (R$ 20 bilhões), nas quais a companhia é devedora perante instituições financeiras e que não se encontram adequadamente refletidas na conta fornecedores”, disse a companhia em comunicado a investidores.