Veja os modelos de carros mais roubados no estado do Rio em 2021

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RIO — E se você precisasse trocar de carro hoje, o que mais pesaria para a decisão? A estudante Marianna Paço, de 21 anos, diz que, além do tamanho e do valor mais econômico, o perigo entrou em discussão quando foi à procura este mês, junto com os pais. O modelo desejado era um Honda Civic, mas, por conselho dos próprios vendedores, levou um Jeep Renegade, que, segundo a concessionária, era menos visado por assaltantes. Entretanto, um levantamento feito para O GLOBO pelo Sindicato das Seguradoras do Rio de Janeiro e Espírito Santo (Sindseg RJ/ES) ressalta que ambos os carros de escolha da estudante estão entre os 29 modelos mais roubados ou furtados no estado do Rio no período de janeiro a agosto deste ano.

A lista teve como base os dados de roubo e furto de carros de passeio segurados pelas principais seguradoras de veículos em todo o estado. Os veículos foram organizados do 1º ao 10º lugar, de acordo com maior e menor perigo. Alguns deles foram apresentados em conjunto porque, segundo o Sindseg RJ/ES, tiveram o mesmo índice de registros durante o período.

O carro adquirido por Marianna entrou na lista em 3º lugar, junto com o Peugeot 207, o Renault Sandero e o Chevrolet Prisma. Acima deles, entraram outros quatro modelos: o Ford EcoSport, em 2º lugar, e três modelos da Volkswagen, o T-Cross, o Nivus e o Polo, todos em 1º.

Para a estudante, a troca foi válida para a família, e a prevenção contra roubos foi rápida:

— Nós tínhamos escolhido um outro modelo. Só não levamos por indicação dos próprios vendedores, por ele ser mais visado. Mas, mesmo escolhendo outro, já saímos da concessionária com o seguro.

Em 4º lugar, entrou o Nissan Versa, o Fiat Toro e o Fiat Siena, um modelo escolhido em 2020 pela pedagoga Thalita Kinzel, de 28 anos.

Segundo ela, o critério de escolha foi baseado nos benefícios e no perigo. Entretanto, ela conta que já sofreu uma de tentativa de assalto com o carro que comprou:

— Eu deixei de comprar um HB20 por ser muito visado, porém acabei já sendo perseguida em uma tentativa de roubo há aproximadamente uma semana com esse meu carro. Não sabia que estava visado desta forma.

Segundo Ronaldo Vilela, diretor-executivo do Sindseg RJ/ES, esses modelos apareceram com maior frequência na lista de roubos e furtos por serem também os veículos mais procurados por compradores no estado:

— É um cenário que segue o número de vendas. Alguns dos modelos que estão na tabela também aparecem na lista de carros mais comprados no Rio, por isso o número alto de roubos.

Preço e perigo estão interligados?

O jornalista Bernardo Vidal, de 22 anos, deseja comprar um carro. A pesquisa por um modelo em conta e pouco visado tem sido árdua, já que os preços, até dos mais comuns, não estão lá tão em conta quanto antes. Segundo ele, na busca, o ponto maior ainda é o preço, mas o receio de assalto também aparece:

— Não ligo se o carro é mais básico ou não, mas tenho preferido carros mais simples, pelo custo e pelo perigo também.

Nos últimos colocados, até os modelos mais simples entraram na mira. Em 8º lugar, o Volkswagen Gol apareceu ao lado do Fiat Idea e do Chevrolet Classic; em 10º, o Chevrolet Celta se juntou ao Volkswagen Virtus, o Fiat Cronos e o Toyota Corolla. No meio dos dois, em 9º, a tabela ascendeu de preço, com o modelo Renault Duster, o Toyota Yaris e o Honda HR-V.

Segundo dados da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), com dados do domingo, apenas seis modelos dos 29 não passam dos R$ 50 mil, considerando modelos recentes das marcas disponibilizados pela tabela. Entre eles está o Peugeot 207, que custa, em média, pouco mais de R$ 28 mil no modelo de 2015; o Chevrolet Celta, ano 2005, que chega a aproximadamente R$ 15 mil; e o Toyota Corolla, ano 2007, que sai por R$ 28 mil. O Mobi Drive, o mais recente da lista dos menores de R$ 50 mil, do ano 2020, sai a mais de R$ 47 mil.

Na lista dos mais caros, dez apareceram com valores acima de R$ 100 mil. Entre eles, ficou o Jeep Compass, com média de mais de R$ 187 mil, zero quilômetro; o Honda Civic, na média de pouco mais de R$ 190 mil, no ano de 2020; e o Honda HR-V, avaliado em mais de R$ 163 mil, também com zero quilômetros.

Para o Ronaldo, o valor dos carros é um detalhe não que está diretamente ligado ao perigo de roubos:

— Não dá para analisarmos que os veículos mais caros que estão no topo da tabela são mais visados pelo seu valor, já que o objetivo do roubo e do furto costumam ser diferentes, com e sem planejamento. O roubo, por exemplo, que vem crescendo, acontece por oportunidade dos assaltantes, e não só porque o veículo é caro. Por isso, não dá para afirmar a ligação entre uma coisa e outra.

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