Veja perguntas sem respostas sobre as mortes em Paraisópolis

***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, 02.12.2019 - A mãe Maria Cristinha durante o sepultamento de seu filho Denys Henrique Quirino da Silva, 16, no cemitério da Nova Cochoeirinha, na zona norte da capital. O garoto foi morto após operação policial em baile funk na comunidade de Paraisópolis. (Foto: Danilo Verpa/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Dois depois depois de um tumulto após ação da PM na favela Paraisópolis (zona sul) terminar com nove jovens mortos e 12 feridos, há uma série de questões ainda não esclarecidas sobre o episódio. Há divergências nos depoimentos dos policiais que participaram da operação e relatos de moradores contradizem a versão oficial da gestão do governador João Doria (PSDB). 

A Polícia Civil investiga o caso por meio da Delegacia de Homicídios e a corregedoria da PM apura se houve responsabilidade dos agentes.

Veja abaixo perguntas ainda sem resposta sobre as mortes das vítimas entre 14 e 23 anos na madrugada de domingo (1º).


Quem eram os homens que estavam na moto, que teriam atirado na polícia, e qual o motivo dos disparos?

A PM ainda não identificou quem são os dois suspeitos que, segundo a versão do governo, teriam disparado contra os agentes que faziam patrulha no local e gerado a suposta perseguição que terminaria em tumulto no baile


Quais as evidências de que a perseguição existiu e onde está a moto?

Testemunhas dizem não ter visto moto nem tiros descritos pelos policiais. Segundo a corporação, era uma motocicleta preta Yamaha, modelo XT 660, e a perseguição está comprovada, uma vez que policiais avisaram rapidamente sobre a abordagem. A moto ainda não foi encontrada


Os jovens começaram a correr após ouvir tiros ou para fugir da fumaça das bombas de gás disparadas pela polícia?

A questão ainda é controversa. Na versão oficial da PM, o estopim para a correria que resultou no pisoteamento de nove pessoas foram os tiros supostamente disparados por dois criminosos. Os relatos dos jovens que estavam no baile são de que a correria começou após bombas de gás e agressões por cassetetes que teriam partido da polícia


Os jovens realmente morreram pisoteados? Eles teriam caído na correria ou desmaiado com o efeito das bombas de gás?

Apenas o resultado dos exames por legistas vai dizer com certeza. Segundo a PM, todos morreram pisoteados. Relatos de moradores, porém, são de que as supostas agressões por policiais podem ter ocasionado a morte de parte das vítimas

As viaturas da Força Tática foram até os PMs de motocicleta para tirá-los em segurança do baile ou os agentes já haviam saído da favela e voltaram depois?


Há incongruências entre as versões da própria polícia. De acordo com o comando da PM, os agentes que teriam perseguido a moto até o baile foram hostilizados e viraram alvo de pedras e garrafas. Os agentes pediram reforço e se abrigaram. Na ocorrência registrada pela Polícia Civil, no entanto, os policiais narram ter conseguido sair da favela, se encontrado com superiores e voltado ao baile com reforço da Força Tática


Por que a polícia teria dispersado uma multidão sem garantir uma rota segura de escape?

Segundo moradores, policiais fecharam ambos os lados da rua e começaram a disparar balas de borracha e bombas de gás. Imagens e relatos indicam que a multidão ficou encurralada em vielas estreitas -alguns tropeçaram e acabaram mortos. O governo sustenta que não houve dispersão, mas sim reação às agressões


Por que o baile continuou por mais cinco horas após a morte dos jovens?

Ainda não se sabe, mas o baile não tem organizador nem apresentações de DJs ou MCs; funciona com iniciativas descentralizadas ao longo da rua