Veja presentes de Natal que escaparam da inflação e valem a compra

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*ARQUIVO* SÃO PAULO-SP, BRASIL, 10-12-2021 - MAIORES ARVORES DE NATAL - Árvore de Natal no Parque Villa-lobos. (Foto: Ronny Santos/Folhapress, COTI) ORG XMIT: AGEN2112111124432775
*ARQUIVO* SÃO PAULO-SP, BRASIL, 10-12-2021 - MAIORES ARVORES DE NATAL - Árvore de Natal no Parque Villa-lobos. (Foto: Ronny Santos/Folhapress, COTI) ORG XMIT: AGEN2112111124432775

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A inflação, que acumula alta de 10,74% entre as festas do ano passado e novembro de 2021, também representa um Natal mais caro para as famílias brasileiras, dos presentes à mesa da ceia.

A Folha de S.Paulo selecionou itens de listas de presentes para indicar quais registraram queda, quais subiram menos do que a inflação e aqueles que superaram o índice dos últimos 12 meses, de acordo com dados do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) do IBGE.

A lista dos que ficaram mais baratos no período é pequena e contém perfumes (-6,75%), óculos (-1,56%) e notebooks (-0,7%). Já a de presentes que ficaram mais caros no período, mas tiveram reajuste abaixo da inflação é maior e tem opções como maquiagens (4,11%), livros não didáticos (4,4%), roupas infantis (6,51%) e femininas (7,7%) e brinquedos (8,96%).

Os notebooks registraram aumento na demanda e consequente alta nos preços em 2020, graças ao trabalho remoto e às aulas a distância durante a pandemia. A expectativa da indústria é que a demanda continue alta, mas os dados do IPCA indicam que aqueles que optarem por comprar computadores pessoais neste Natal devem encontrar equipamentos com uma leve queda nos preços.

Perfumes também apresentaram redução nos preços entre dezembro de 2020 e novembro de 2021. O setor de perfumaria e cosméticos foi impactado pela retração na demanda durante os períodos mais intensos do isolamento social, mas os brasileiros voltaram a consumir as fragrâncias e registraram aumento de 22% nas compras do item no primeiro quadrimestre do ano, em relação a 2020, segundo a Abihpec (Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal).

"Se ficou abaixo da inflação, significa que os itens não apresentaram aumento real. Isso é bom porque, se meu salário foi ajustado pela inflação, ele cresceu mais rápido que esses preços", explica André Braz, do FGV- Ibre (Instituto Brasileiro de Economia). "Já itens que subiram mais do que a inflação farão com que as famílias ajustem demanda ou renunciem a eles."

É o caso de presentes como bicicletas (11,55%), joias e bijuterias (12,26%) e eletrodomésticos (12,75%). Entre os itens que mais encareceram desde o último Natal estão os consoles de videogames (18,65%) e as televisões, que registraram alta de 22,35%.

Eletrônicos encareceram no período graças ao aumento nos preços de matérias-primas como o cobre, alumínio e minério de ferro, além da desvalorização do real e gargalos na oferta de suprimentos para a indústria, diz Braz.

O ajuste no preço de joias também é explicado pelo encarecimento no último ano de matérias-primas como o ouro, explica Pedro Kislanov, gerente do IPCA-IBGE. Ele relembra que altas na gasolina e energia também afetaram custos de logística e distribuição de itens diversos durante os 12 meses considerados, como vestuário, que registrou alta de 0,95% em novembro em relação a outubro.

Entre as roupas, presente comum no final de ano, a alta de dezembro passado a novembro de 2021 foi de 6,51% nas peças infantis, 7,7% nas femininas e 10,92% nas masculinas, única entre as três categorias que registrou aumento acima da inflação.

Durante os períodos mais graves da pandemia, a demanda por roupas foi reduzida, diz Kislanov. Com a reabertura, outubro registrou aumento nos fluxos de pessoas, da demanda e da oferta de roupas, encarecidas graças à alta do algodão no mercado.

JUROS ALTOS ENCARECEM PARCELAMENTO

A variação da inflação dos itens deve ser um dos critérios na hora de elaborar a lista de compras para o Natal, mas não o único, dizem especialistas que recomendam cautela com as compras a prazo.

Alguns itens podem ter registrado inflação maior do que outros, mas ainda apresentam valor mais acessível para as famílias, diz Braz. "É preciso atentar também para os juros altos embutidos no parcelamento", recomenda. A atenção aos juros é importante especialmente no atual cenário de inflação crescente, em que o dinheiro perde ainda mais valor ao longo dos meses, diz.

Kislanov recomenda que as famílias intensifiquem a pesquisa de preços antes das compras de Natal. "Em nossas pesquisas para montar os índices notamos grande variação entre os preços de um mesmo item", diz.