Acompanhe os primeiros resultados das eleições americanas

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Eleitores depositam o voto no Maine
Americanos foram às urnas nesta terça para escolher entre o democrata Joe Biden e o republicano Donald Trump, que tenta reeleição

Atualizado em 02:05 do dia 4 de novembro

Após o fechamento de praticamente todas as urnas nos Estados Unidos, o resultado das eleições no país ainda não está definido.

Tanto o candidato republicano, o atual presidente, Donald Trump, quanto o postulante democrata, Joe Biden, acumulam mais de 100 delegados cada um, de acordo com as projeções baseadas nas apurações parciais já disponíveis.

Até o momento, Biden tem vantagem em 14 Estados, além de Washington D.C. São eles Vermont, Delaware, Maryland, Massachusetts, Nova Jersey, Nova York, Connecticut, Colorado, Novo México, New Hampshire, Illinois, Califórnia, Oregon e Washington.

Já Trump deve sair vitorioso em 17 Estados, ainda de acordo com as projeções: Indiana, Kentucky, Oklahoma, Tennessee, West Virginia, Arkansas, Dakota do Sul, Dakota do Norte, Alabama, Carolina do Sul, Louisiana, Nebraska e 3º Distrito de Nebraska, Utah, Missouri, Kansas, Wyoming e Mississippi.

A disputa ainda está em aberto em Estados que podem ser decisivos na definição do pleito, como Pensilvânia, Ohio e Michigan.

Em um pleito marcado pela pandemia de coronavírus, o volume elevado de votos depositados antecipadamente pelo correio pode atrasar a divulgação — quase 100 milhões votaram antecipadamente até esta segunda (02/11) e apenas parte das cédulas já foi contabilizada.

Outro complicador é o próprio desenho do processo eleitoral nos Estados Unidos, que é indireto. Os americanos não elegem efetivamente os candidatos à presidência, mas membros do Colégio Eleitoral, o órgão encarregado de escolher o mandatário.

No total, o país soma 538 delegados. O número por Estado é determinado de acordo com a quantidade de representantes que cada unidade tem no Congresso (Câmara de Representantes e Senado). Para ganhar as eleições, um candidato precisa de 270.

Com exceção de dois Estados, o Maine e Nebraska, os demais distribuem todos os delegados ao candidato que obtém maioria dos votos nas urnas.

Trump
Trump já afirmou que recorreria à Suprema Corte para anular os votos depositados pelo correio

Estados-chave

A Carolina do Norte, que contabiliza 15 delegados, é um dos Estados em que as pesquisas de intenção de voto não apontavam claramente um vencedor — e, com 95% das urnas apuradas na madrugada desta quarta (4/11), a disputa seguia apertada.

Em 2008, Obama ganhou por uma pequena margem neste que é um histórico enclave republicano. Perdeu quatro anos depois, assim como Hillary em 2016, quando Trump foi eleito.

A Flórida, com 29 delegados e uma tradição de definir eleições presidenciais, segue sendo um campo de batalha fundamental neste ano. Com 96% dos votos computados, o candidato republicano somava 50,1% dos votos, conforme o jornal The New York Times.

As pesquisas não davam vantagem clara a Biden ou Trump no Estado, mas apontavam que Trump necessitava da região para garantir a reeleição. Caso perdesse, suas possibilidades de se manter na Casa Branca se reduziriam a cerca de 1%, de acordo com as estimativas do portal FiveThirtyEight.

Centro de votação
Campanha eleitoral foi marcada por intensa polarização

Se o candidato republicano garantisse a Flórida, as atenções se voltariam ao chamado "muro azul", termo usado em referência à cor do Partido Democrata: os três Estados que eram considerados bastiões do partido de Hillary Clinton em 2016, mas que deram maioria a Trump por uma margem estreita de votos.

São eles Wisconsin, Michigan e Pensilvânia, parte do que ficou conhecido como "cinturão de ferrugem", o coração da indústria que impulsionou a economia do país no século 20 e que foi posteriormente golpeado por um processo de desindustrialização, acelerado por uma crescente concorrência internacional e pela globalização. Uma combinação de fatores que se traduziu em aumento do desemprego e da migração para outras regiões.

O discurso de revitalização da indústria Trump rendeu-lhe uma diferença de 80 mil em relação à opositora em 2016, menos de um ponto percentual em cada Estado. O candidato republicano tenta repetir o desempenho com um discurso semelhante — Biden, entretanto, vinha em uma crescente nas pesquisas de inteção de voto, que apontam vantagem de 4 a 6 pontos percentuais sobre o oponente.

Nas primeiras horas de quarta-feira, entretanto, os votos já apurados não apontavam de forma clara um vencedor.

O mesmo vale para a Georgia, que soma 16 delegados e é considerada, segundo analistas, uma região mais importantes para Trump do que para Biden, que teria outras alternativas caso perdesse no Estado.

Em 2016, Trump venceu ali por cinco pontos percentuais. Os democratas venceram pela última vez no Estado em 1992, quando Bill Clinton foi eleito.

Quando serão conhecidos os resultados?

O resultado dos eleições em geral é conhecido no mesmo dia da votação.

Isso pode, contudo, não acontecer neste ano. Além do grande volume de votos depositados antecipadamente, o resultado pode ser atrasado por um eventual processo de judicialização das eleições — Trump já afirmou que recorreria à Suprema Corte do país para tentar invalidar os votos pelo correio.

Há inclusive temor de inquietação social a depender do resultado das urnas.

Pela primeira vez em seus 25 anos de história, o International Crisis Group, organização cuja missão é "acender alertas para prevenir conflitos mortais" emitiu um informe sobre as eleições nos Estados Unidos.

Conforme o grupo, o país está diante de um "perigo desconhecido".

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