Veja qual é a proposta de Lula para o Imposto de Renda

Durante a campanha eleitoral, o presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu o reajuste da tabela do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF). A ideia é ampliar a faixa de isenção do IR para quem ganha até R$ 5 mil — hoje, esse limite é de R$ 1.903,98. O valor não é atualizado desde 2015.

A medida teria um impacto de R$ 180 bilhões sobre as contas públicas, de acordo com cálculos feitos por Gabriel Leal de Barros, sócio e economista-chefe da Ryo Asset. Esse é um valor que o governo deixaria de receber e leva em conta a aplicação dos mesmos percentuais de correção para as demais faixas e para as deduções — como saúde e educação.

Leia mais: Saiba como será o programa de Lula para endividados

O petista já afirmou que quer pagar a conta tributando mais dos mais ricos, com a possibilidade de criação de uma nova faixa de cobrança e com imposto sobre lucros e dividendos.

Como a tabela do Imposto de Renda não é atualizada desde 2015, na prática, a cada ano mais pessoas precisam pagar Imposto de Renda. Com os reajustes salariais, novos contribuintes entram no rol de cobrança.

Defasagem da tabela

De acordo com a Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil (Unafisco Nacional), somente no governo Bolsonaro, a defasagem da tabela chega a 24,49%.

A Unafisco também faz a conta da defasagem total do Imposto de Renda desde 1996. Segundo a entidade, com a inflação de 10,06% do ano passado, a defasagem acumulada da tabela do IR chegou a 134,53%.

Na campanha de 2018, Bolsonaro sinalizava uma ampliação da faixa de isenção para cinco salários mínimos, o que equivalia a cerca de R$ 5 mil na época — em valores atuais, seria de R$ 6.060. Para quem ganhasse além desse valor, seria cobrada uma alíquota única de 20%. Mas o atual presidente não conseguiu propor sequer a atualização da tabela pela inflação.