Veja que países estão conseguindo frear o coronavírus

Rafael Garcia
A curva de crescimento da epidemia em cada país

SÃO PAULO — Autoridades de saúde do mundo estão agora em busca de exemplos para saber quais estratégias para contenção da epidemia de coronavírus têm sucesso. Um gráfico interativo mostrando quais populações conseguiram evitar o crescimento a taxas altas é capaz de mostrar onde estratégias estão funcionando.

No gráfic abaixo, é possível usar a caixa de busca para procurar e selecionar países, comparando a epidemia em diferentes lugares. As linhas representam o tamanho da epidemia a partir do momento em que cada país registrou seu 100º caso.

O gráfico mostra o número de casos em escala logarítmica — ou seja, não aumenta em proporção normal (cem, 200, 300, 400...), e sim exponencial (cem, mil, 10 mil, 100 mil...).

É um recurso matemático que permite destacar os lugares onde a epidemia tem alta taxa de crescimento (mais de 30% de aumento de casos por dia) daqueles onde ela cresce menos (20% ou 10% por dia).

Saber quem obteve resultado é essencial para decidir que estratégia é melhor, e uma maneira de fazer isso hoje é observando como a epidemia evoluiu de diferentes maneiras.

O gráfico contabiliza a partir do 100º caso, porque antes disso existe muita incerteza nos dados, e até chegar a essa marca alguns países registraram quase exclusivamente casos importados. A barreira do 100º episódio é um limite arbitrário para presumir que um país já está tendo transmissão comunitária (ocorrências internas, não importadas).

As curvas de crescimento têm durações diferentes porque a epidemia começou mais cedo em alguns países do que em outros. Mais do que a duração das curvas, vale olhar para a inclinação de cada uma delas, que revela a taxa de crescimento da epidemia em cada nação. Estão incluídos os 30 países com maior volume de casos até agora na epidemia.

Saltam aos olhos o desempenho melhor do Japão e de Cingapura em evitar uma alta taxa de crescimento da epidemia. Ambos os países reagiram rapidamente para isolar casos e evitar contatos e continuaram com políticas rígidas desde então.

A China e a Coreia do Sul se destacam por terem conseguido dobrar suas curvas de crescimento depois de sofrerem aumento explosivo dos casos. O resultado obtido pelos chineses veio depois de uma política de toque de recolher e de bloqueio nos transportes a partir do 24º dia de epidemia. Os coreanos tiveram sucesso com medidas de distanciamento social e ampla testagem de casos suspeitos e rastreamento/isolamento de pessoas contatadas pelos doentes.

Países que demoraram a empregar medidas semelhantes (Brasil incluído) ainda estão vendo um aumento brutal no número de casos registrados, superior a 30% por dia.

Na Itália e no Irã, onde o número de casos começou a explodir ainda em fevereiro, a curva de crescimento da epidemia começa a dar sinais de ceder. Ambos aumentaram suas medidas de contenção ao longo de março, como a extensão do toque de recolher.