Veja sete momentos em que Aras se alinhou aos interesses de Bolsonaro

·3 minuto de leitura

BRASÍLIA — Durante os quase dois anos de sua gestão à frente da Procuradoria-Geral da República (PGR), Augusto Aras se manifestou por diversas vezes ao Supremo Tribunal Federal em defesa das posições ou dos interesses do presidente Jair Bolsonaro.

Aras inclusive passou a ser criticado internamente sob acusação de se omitir na fiscalização dos atos de Jair Bolsonaro durante a pandemia da Covid-19. O caso gerou um pedido de investigação contra Aras no Conselho Superior do Ministério Público Federal.

Veja sete posicionamentos adotados pela PGR que convergiram com os interesses do Palácio do Planalto:

CASO COVAXIN

Em manifestação ao STF sobre a notícia-crime apresentada por três senadores pedindo a investigação das denúncias de prevaricação por parte de Jair Bolsonaro no caso da negociação da vacina indiana Covaxin, a PGR pediu para aguardar a conclusão da CPI antes de autorizar a abertura de um inquérito. Na avaliação da procuradoria, era melhor esperar os indícios reunidos pela comissão para avaliar se houve crime por parte do presidente. Mas o órgão voltou atrás após a ministra Rosa Weber cobrar uma posição e dizer que a PGR “desincumbiu-se de seu papel constitucional”.

ATOS ANTIDEMOCRÁTICOS

No dia 4 de junho, a PGR de Aras pediu o arquivamento da investigação que atingia 11 parlamentares bolsonaristas no inquérito dos atos antidemocráticos, que tramita no STF sob a tutela do ministro Alexandre de Moraes. Na manifestação, a procuradoria afirmou que a PF não encontrou provas de crimes, o que impediria a continuidade da investigação mais de um ano após ter começado.

CULTOS NA PANDEMIA

Em abril deste ano, às vésperas da Páscoa, o procurador-geral da República entrou com um pedido para que o STF proibisse os governos estaduais e do DF de suspenderem a realização de cultos, missas e outras atividades religiosas durante a pandemia — posição também defendida pelo Palácio do Planalto.

OPERAÇÕES DA PF

Diante da deflagração, em maio, da Operação Akuanduba — que atingiu o então ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles e causou desgaste ao governo Bolsonaro — a PGR apresentou uma ação no Supremo para obrigar que todas as investigações iniciadas pela PF ou por ordem do STF sejam submetidas ao aval prévio da PGR. O motivo: a operação foi deflagrada por Moraes sem a participação da Procuradoria.

MEDIDAS SANITÁRIAS

Aras arquivou todos os pedidos de investigação contra Bolsonaro sob acusação de possíveis crimes cometidos durante a pandemia, como o delito de descumprimento de medida sanitária preventiva por se recusar a usar máscaras, ou o delito de propagação de epidemia.

INTERFERÊNCIA NA PF

No inquérito que apura suposta interferência de Bolsonaro na Polícia Federal, Aras se posicionou contra a divulgação da íntegra de um vídeo de reunião ministerial na qual Bolsonaro disse querer interferir na PF do Rio. Nessa mesma investigação, Aras opinou que o presidente poderia escolher como prestar depoimento e se gostaria de ser dispensado. O Supremo ainda não terminou de julgar o formato do depoimento de Bolsonaro.

APREENSÃO DE CELULAR

Em maio de 2020, Aras se manifestou no Supremo contra a apreensão do celular de Bolsonaro. O pedido foi feito por partidos políticos e parlamentares na investigação sobre a suposta interferência política do presidente na Polícia Federal.

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos