Veja a trajetória do centrão, da Constituinte a embates e reaproximação com Bolsonaro

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BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Em busca de sustentação no Congresso para aprovar projetos e reduzir os riscos que poderiam abreviar seu mandato, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) distribuiu cargos para o centrão e tornou essas siglas a espinha dorsal de sua base política. O presidente, que no início do ano passado participava de manifestações que pediam o fechamento do Congresso, abandonou o embate com os partidos tradicionais. Como resultado, recebeu apoio até de antigos críticos. Nesta segunda-feira (1º), dois nomes apoiados por Bolsonaro aparecem como favoritos para as eleições no Congresso: Rodrigo Pacheco (DEM-MG), no Senado, e Arthur Lira (PP-AL), na Câmara -esse último o principal líder do chamado centrão, bloco de partidos de centro e de direita conhecidos como adeptos do 'tomá lá, dá cá' (apoio em troca de cargos e verbas). Na campanha de 2018, Bolsonaro, então no PSL, dizia que os dirigentes do centrão eram "a alta nata de tudo o que não presta no Brasil". Chegando ao poder, o presidente atravessou 2019 em conflito com esses partidos. Já 2020 ficou marcado como o ano em que eles fizeram contato. Agora, dirigentes e líderes dizem que a aproximação com o governo em 2020 foi possível porque Bolsonaro corrigiu problemas em seu comportamento. O CENTRÃO, DA CONSTITUINTE AOS DIAS ATUAIS 1987 Integrantes de centro-direita de PFL (hoje DEM), PMDB (hoje MDB), PDS (extinto), PTB e PL, entre outros, se unem em sustentação ao governo de José Sarney (PMDB) 1988 O grupo está em seu auge, sendo o responsável por barrar da Constituição pontos como o parlamentarismo e aprovar o mandato de cinco anos para Sarney Roberto Cardoso Alves (1927-1996), do PMDB-SP, que usou a oração de São Francisco de Assis, “é dando que se recebe”, para explicar a relação dos parlamentares com o governo Sarney 1989 Com a corrosão da popularidade de Sarney e a eleição de Fernando Collor (PRN), grupo se dissolve 2004 Embora não fossem rotulados como centrão e não atuassem unidos, PTB, PP e PL agiam em apoio ao governo Lula (2003-2010), do PT, a maior parte deles tendo sido aliada também do antecessor, Fernando Henrique Cardoso (1995-2002), do PSDB 2005 Estoura o escândalo do mensalão, tendo como pivôs o PT e esses três partidos, em especial Roberto Jefferson (PTB), delator e condenado no escândalo do mensalão 2014 Surge o novo centrão, sob o comando do então líder do MDB, deputado Eduardo Cunha (RJ). Os principais partidos, além do MDB, são PP, PR (atual PL) e PTB 2015 Cunha derrota o candidato do governo, Arlindo Chinaglia (PT-SP), e é eleito presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha (MDB-RJ), um dos principais condutores do impeachment de Dilma Rousseff, acabou sendo afastado do cargo, cassado, e hoje está em prisão domiciliar 2016 Sob o comando de Cunha na Câmara, Congresso aprova o impeachment de Dilma Rousseff (PT). Cunha perde o cargo e o mandato, e é preso no mesmo ano. O candidato do centrão, Rogério Rosso (PSD-DF), é derrotado por Rodrigo Maia (DEM-RJ) na disputa pela Presidência da Câmara 2017 Com o apoio da oposição, Maia derrota outro líder do centrão, Jovair Arantes (PTB-GO), e se reelege. Amparado pelo bloco, Michel Temer (MDB) escapa por duas vezes de ser afastado da Presidência no escândalo da JBS 2019 Unindo o centrão em torno de si, Maia consegue se reeleger para o terceiro mandato consecutivo no comando da Câmara Arthur Lira (PP-AL), alvo da Lava Jato, é hoje o principal líder do centrão 2020 Após a adesão do centrão ao governo Jair Bolsonaro (sem partido), Maia perde sustentação no grupo. Em fevereiro de 2021, centrão (PP, PL, PTB, principalmente) e o grupo de Maia (DEM, MDB, PSDB e outros) vão se enfrentar novamente pelo comando da Câmara