Veja trecho vazado de estudo do próprio governo sobre kit Covid que Bolsonaro tenta barrar

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Bolsonaro mostrou-se irritado com os dados apontados pelo relatório (Sergio Lima/AFP via Getty Images)
Bolsonaro mostrou-se irritado com os dados apontados pelo relatório (Sergio Lima/AFP via Getty Images)
  • Documento elaborado a mando do Governo Federal não recomenda remédios do "kit Covid"

  • Relatório seria discutido nesta quinta-feira pela Conitec

  • O presidente Jair Bolsonaro teria interferido para que o estudo fosse retirado da pauta

O relatório encomendado pelo Governo Federal sobre o chamado “kit Covid” não recomenda o uso de remédios como ivermectina e hidroxicloroquina para tratamento ambulatorial do coronavírus. As informações são do blog de Julia Dualibi no G1.

O estudo corrobora o que entidades especializadas já haviam constatado: o “tratamento precoce”, defendido pelo governo de Jair Bolsonaro (sem partido) não tem nenhuma eficácia no combate à Covid-19.

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Entre outros pontos, o relatório aponta:

  • Recomendamos não utilizar azitromicina em pacientes com suspeita ou diagnóstico de Covid-19, em tratamento ambulatorial (recomendação forte, certeza da evidência moderada).

  • Recomendamos não utilizar hidroxicloroquina/cloroquina, isolada ou em associação com azitromicina, em pacientes com suspeita ou diagnóstico de Covid-19, em tratamento ambulatorial (recomendação forte, certeza da evidência moderada).

  • Sugerimos não utilizar ivermectina em pacientes com suspeita ou diagnóstico de Covid-19, em tratamento ambulatorial (recomendação condicional, certeza da evidência baixa).

O estudo seria discutido nesta quinta-feira pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec), mas foi retirado da pauta.

Pacientes com Covid-19 vinham recebendo remédios ineficazes em alguns hospitais (Fabio Teixeira/Anadolu Agency via Getty Images)
Pacientes com Covid-19 vinham recebendo remédios ineficazes em alguns hospitais (Fabio Teixeira/Anadolu Agency via Getty Images)

Segundo informações da Rádio CBN, Bolsonaro teria ficado irritado justamente com o conteúdo técnico do relatório em relação aos remédios defendidos por ele. Por isso, teria interferido pessoalmente para a retirada do assunto da pauta.

Especialistas desmentem versão do Ministério da Saúde

O Ministério da Saúde afirma que foi o grupo de especialistas responsável pelo estudo que pediu a retirada do documento da pauta, para que pudesse aprimorá-lo após análise de novos dados científicos sobre os medicamentos.

Membros do grupo ouvidos pela CBN se disseram surpresos que o tema tenha sido retirado da pauta, contrariando a versão do Ministério da Saúde. Eles ainda explicaram que não há nenhuma novidade sobre o uso de cloroquina ou outros medicamentos sem eficácia no tratamento da Covid-19 que justificariam o adiamento do parecer.

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