Veja um roteiro por discos de artistas que tiveram shows cancelados no Rio

Sérgio Luz
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O cantor Zeca Pagodinho

Com o decreto da suspensão das atividades de cinemas, teatros e casas de shows anunciado pelo governo do estado na tarde da última sexta-feira, inicialmente por um período de 15 dias, o público carioca perde uma agenda repleta de grandes atrações. Do jazz do virtuose guitarrista americano Pat Metheny ao rock brasileiro do Paralamas do Sucesso, que planejava duas apresentações dedicadas aos clássicos da carreira. A seguir, uma lista de discos para relembrar ou descobrir a obra de alguns desses artistas, todos disponíveis em plataformas de streaming como Spotify e Deezer.

Pat Metheny

Conhecido por sua técnica apurada, o guitarrista de 65 anos viria ao Rio para um espetáculo que revisita todas as fases das mais de quatro décadas de sua trajetória, que passou por gêneros como jazz, fusion e música experimental.

Entre seus quase 50 discos, dois da safra mais recente são uma boa porta de entrada para o universo musical do artista: “Metheny/Mehldau” (2006) e “Metheny/Mehldau Quartet” (2007), ambos ao lado do pianista Brad Mehldau.

— Eu apenas tento representar em som as coisas que amo sobre música. Todas as minhas gravações e projetos durante os anos são como um único longo disco, uma longa história dividida em diferentes capítulos, com tons e personagens distintos. E às vezes com variadas e selvagens mudanças de temperatura — comenta Metheny, por e-mail.

Faixas sugeridas: “Summer day” e “En la tierra que no olvida”.

Zeca Pagodinho

Para quem ainda não ouviu, agora é a oportunidade de escutar “Mais feliz”, último álbum do bamba, que cantaria neste fim de semana, no Vivo Rio. As apresentações foram transferidas para 28 e 29 de agosto.

“É uma pena, um show novo, seria bem bacana... para a gente não correr risco, nem eu nem vocês, vamos cancelar”, disse Zeca em vídeo divulgado em suas redes sociais.

O novo trabalho de estúdio do cantor é seu primeiro após completar 60 anos. Os 14 sambas do disco demonstram a alegria do título, mas há também espaço até para crítica político-social, como em “Na cara da sociedade” (Claudemir/Serginho Meriti).

Faixas sugeridas: “O carro do ovo” e “Apelo”, com Hamilton de Holanda e Yamandu Costa.

Renaissance

Os cariocas talvez tenham perdido a última chance para ouvir a voz de cinco oitavas da cantora Annie Haslam, líder da banda inglesa de rock progressivo, que afirmou ao GLOBO, por telefone, que pretende abandonar os palcos no próximo ano:

— Minha voz ainda é forte, mas as turnês estão cobrando seu preço.

Menos lembrada que gigantes do gênero como Yes e King Crimson, a banda lançou em 1973 “Ashes are burning”, com passagens elaboradas, melodias contagiantes e mudanças de clima e andamento.

Faixas sugeridas: “Can you understand?” e “Ashes are burning”.

Paralamas do Sucesso

Enquanto não são anunciadas novas datas para a turnê “Paralamas clássicos”, vale relembrar um clássico muitas vezes esquecido da banda, “Nove luas” (1996), que ficou marcado pelo sucesso do single “Lourinha bombril”. Com 12 canções redondas, o álbum mostra o trio em sua melhor forma, no que talvez seja o disco mais coeso do grupo.

Faixas sugeridas: “Outra beleza”, “Sempre te quis” e “O caminho pisado”.

Sammy Hagar

O ex-vocalista do Van Halen foi o primeiro artista a cancelar um show no país por causa da Covid-19. Aos 72 anos, o cantor e guitarrista fez um vídeo para os fãs no Instagram: “Nunca toquei na América do Sul, queria deixar pessoalmente aqui minhas desculpas”.

Normalmente esnobado pelos fãs, o último disco de Hagar no Van Halen, “Balance” (1995), traz algumas das melhores performances vocais do americano, além de alguns solos incendiários de Eddie Van Halen.

Faixas sugeridas: “Don’t tell me (what love can do)” e “Feelin’”.