Velejador Jorge Zarif é pego em antidoping

Jorge Zarif, um dos principais nomes brasileiros de vela, anunciou, nesta quarta-feira, que optou por pedir uma suspensão temporária à Autoridade Brasileira de Controle de Dopagem (ABCD). A resposta é consequência do resultado de exame antidoping feito em agosto, durante evento-teste na raia de Enoshima, no Japão, que deu positivo para a substância tamoxifeno. Por meio de comunicado oficial, o atleta justificou a situação e explicou que passou por um tratamento médico para não recorrer a uma alternativa cirúrgica, que o ausentaria por quase dois meses.

Competidor da classe Finn, barco de 15 pés, no meio do ano passado, ele foi diagnosticado com ginecomastia bilateral, uma elevação no tecido mamário masculino, que, de acordo com Zarif, o causava dores e limitava os movimentos com o braço. Sob recomendação do mastologista que o acompanha, ele começou a tomar o remédio, cujo ciclo de tratamento durava 20 dias, em junho de 2019, pois caso tivesse que operar, teria que ficar afastado por 45 dias, período de preparação

O atleta explicou que optou por se afastar de "boa-fé", pois, de acordo com ele, o diagnóstico com passagens de diferentes médicos, que inclui fotos e vídeos, e seu histórico esportivo estão a favor dele. Em preparação para Tóquio-2020, cuja vaga estava com boas possibilidades de ser garantida, Zarif carrega duas outras edições de Jogos Olímpicos no histórico, Londres-2012 e Rio-2016. Ainda não há informações sobre o julgamento do velejador.

Confira a nota oficial:

“Gostaria de esclarecer o ocorrido no Japão, e ressaltar que jamais fiz uso de uma substância proibida para obter qualquer vantagem indevida. Fiz uso do Tamoxifeno para tratar de uma condição médica que estava me deixando com dor e com os movimentos limitados.

Segundo os médicos e especialistas, o uso do Tamoxifeno não me renderia vantagem na prática do meu esporte ou em treinos regulares, até porque apenas utilizei o medicamento por 20 dias no mês de junho, bem antes da competição realizada em agosto no Japão. Estou aberto a todos os esclarecimentos e de posse de todos os documentos para provar que não agi de má fé ao fazer o uso do medicamento.

Ressalto que optei pelo uso do tamoxifeno porque a outra opção seria a cirurgia, que me obrigaria a ficar quase dois meses afastado, sem poder mexer meus braços, perto de duas competições importantes.

Sempre estive à disposição das autoridades antidopagem. Meu histórico esportivo, desde os 15 anos de idade servindo à Equipe Brasileira de Vela, demonstra isso. Por isso, de boa-fé, decidi pedir a suspensão esportiva para aguardar a decisão do caso, que já está sendo conduzido por meus advogados.”