Vencedor bielorrusso do Nobel da Paz optou por retorno ao país apesar do aviso de prisão, diz amigo

Ales Byalyatski em Minsk

Por Andrius Sytas

VILNIUS (Reuters) - O vencedor do Prêmio Nobel da Paz Ales Byalyatski optou por retornar à sua Belarus, apesar das advertências de que enfrentaria a prisão lá, para ajudar a sociedade civil distribuindo doações de ajuda internacional, disse um amigo do ativista de direitos humanos.

Byalyatski ganhou o prêmio junto do grupo de direitos humanos Memorial e do Centro de Liberdades Civis da Ucrânia nesta sexta-feira, no que será visto por muitos como uma condenação do presidente russo, Vladimir Putin, e do presidente de Belarus, Alexander Lukashenko.

"Ele disse - eu não cometi nenhum crime", disse à Reuters Vytis Jurkonis, chefe do escritório de Vilnius da Freedom House, uma organização de defesa dos direitos humanos financiada pelo governo dos Estados Unidos, na capital lituana.

Jurkonis, que conheceu Byalyatski em 2008 e trabalhou em cooperação com ele durante anos, alertou-o de que as autoridades lituanas acidentalmente forneceram a Belarus seus dados bancários na Lituânia.

No seu regresso de uma visita à Lituânia, Byalyatski foi condenado a 4 anos e meio de prisão em 2011 por suposta evasão de impostos sobre dinheiro nas suas contas bancárias na Lituânia. O dinheiro foi fornecido por organizações internacionais para financiar a sociedade civil em Belarus. Byalyatski fez o depósito lá por risco pessoal.

Os recursos ajudaram centenas de pessoas a sustentar famílias depois que seus familiares foram presos arbitrariamente em Belarus, além de apoiar organizações de direitos humanos depois que seus escritórios foram invadidos e equipamentos confiscados, disse Jurkonis.

Byalyatski foi libertado em 2014, mas preso novamente em 2021, mais uma vez por suposta evasão fiscal. Ele continuou trabalhando como ativista dos direitos humanos e participou de protestos em massa contra o governo em Minsk em 2020, que levaram dezenas de milhares de pessoas às ruas por meses para exigir a renúncia de Lukashenko.

"Ele é o rosto da comunidade de defensores dos direitos humanos em Belarus. Ele é a personificação do que os defensores dos direitos humanos deveriam ser, às vezes sacrificando até mesmo sua própria segurança e sua vida pessoal em benefício dos outros", disse Jurkonis.

"Se Byalyatski estivesse aqui, ele diria, tenho certeza, que é um prêmio para todos os defensores dos direitos humanos de Belarus e também para aqueles que eles estão tentando defender".