Vencedoras de bolsas de estudo de dança em Nova York, três bailarinas da Cidade de Deus levantam verba para a viagem no sinal de trânsito

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Por uma semana, com seus inconfundíveis saiotes, três jovens fizeram piruetas no meio da rua, diante de um sinal de trânsito na Rua Edgard Werneck. As bailarinas Giovanna Mendes, de 12 anos, Kemilly Lacerda, 15, e Luana Amara, 18, atraíram curiosidade e cumpriram a missão. Alunas da Academia de Dança Valéria Martins, acanhado espaço de 21m² na Cidade de Deus, Zona Oeste do Rio, aprovadas com bolsa de estudos de 50 dias na Companhia Ajkun Ballet Theatre, em Nova York, elas levantaram R$ 40 mil para viajar.

Sob sol e chuva, cerca de três horas por dia, as meninas estenderam uma faixa pedindo ajuda por PIX, mas acabaram levantando a verba na rua mesmo. A audição para a bolsa na trupe nova-iorquina foi on-line e a viagem está marcada para 12 de janeiro.

Passagens foram compradas e o passaporte já foi emitido, mas o visto ainda está sob análise. A ideia de pedir apoio no sinal partiu da professora, Valéria Martins. A reação de motoristas e pedestres misturou curiosidade e incentivo.

— Sempre acreditamos que daria certo, mas não tão rápido — diz Luana.

— Tudo no balé é caro. O apoio da Valéria e o esforço da nossa família nos incentivam — conta Kemilly.

Depois de dançar no sinal, o trio já faz planos.

— Se eu conseguir ficar, vai ser perfeito. Vai mudar minha vida, vou morar fora. Caso não dê certo, eu volto e vou tentar ir para outras companhias, e vou tentar de novo ir para lá. Daqui a cinco anos, me vejo com contrato com uma grande companhia — projeta Luana.

Valéria, que incentivou as três, fica realizada, mas lamenta o apoio escasso:

— Fico muito feliz, mas ao mesmo tempo fico pensando por que a gente não pode ter um apoio, sabe? Nosso espaço precisa de reformas, não temos uma estrutura direita para os alunos. Como um projeto que dá essas oportunidades não consegue ajuda? Por que precisamos ir para o sinal conseguir custear a viagem?

Apesar de a meta ter sido atingida, ela não é suficiente para outros custos de permanência em Nova York, como alimentação. Por isso, a vaquinha (PIX para o celular 21-970791912) continua recebendo.

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