Vendas no varejo sobem 1,4% em maio, segundo mês consecutivo de alta

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As vendas do varejo brasileiro avançaram 1,4% em maio, em relação a abril, de acordo com dados da Pesquisa Mensal de Comércio (PMC) divulgados nesta quarta-feira (dia 7) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). É o segundo mês seguido de alta do setor.

Especialistas ouvidos pela Reuters previam alta de 2,4% no mês. Com o resultado, o setor acumula alta de 5,4% em 12 meses, e, agora, se encontra 3,9% acima do nível pré-pandemia.

O IBGE também revisou os resultados dos meses de março e abril. Segundo o gerente da pesquisa, a revisão se deu em função de ajustes sazonais. A queda registrada em março foi revisada de -1,1% para -3%. O crescimento de abril também foi revisado de 1,8% para 4,9%.

— Há uma volatilidade da distribuição do padrão de consumo que acontece desde março de 2020. (...) Com a pandemia, há um novo cenário no comércio, com diferenças marcantes. O carnaval, por exemplo, não ocorreu neste ano. Com isso, há ajustes recorrentes que são feitos, baseados nas informações que chegaram por último, que foram inseridas naquele mês — enfatizou Santos.

Das oito atividades pesquisadas, sete apresentaram aumento nas vendas. A maior variação foi no segmento de tecidos, vestuário e calçados (16,8%), seguida por combustíveis e lubrificantes (6,9%) e outros artigos de uso pessoal e doméstico (6,7%).

Livros, jornais, revistas e papelaria (1,4%), equipamentos e material para escritório (3,3%), hiper e supermercados (1,0%) e móveis e eletrodomésticos (0,6%) foram as outras atividades que tiveram aumento das vendas em maio.

A única atividade a ter queda no volume de vendas no período foi a de artigos farmacêuticos, de perfumaria e cosméticos, que caiu 1,4%.

Cristiano Santos, gerente da pesquisa, explica que os setores do comércio apresentam trajetórias diferentes de recuperação.

O avanço do segmento de tecidos, vestuário e calçados, por exemplo, ocorreu em cima de uma base de comparação deprimida. O setor tem sido um dos mais afetados pela pandemia:

— A atividade de tecidos, vestuário e calçados, que teve a maior variação, já havia crescido 6,2%, mas ainda está muito abaixo do que estava antes da pandemia. Além disso, esse setor sofreu outra queda em março deste ano. Então, é uma recuperação, mas em cima de uma base de comparação muito baixa — explica Santos.

No comércio varejista ampliado, as vendas cresceram 3,8% na passagem de abril para maio. As vendas de materiais de construção subiram 5%, enquanto as vendas nas atividades de veículos, motos, partes e peças avançaram 1%.

Santos explica que os dois segmentos do varejo ampliado vêm se recuperando de forma desigual. Enquanto as vendas de material de construção estão 21,9% acima do nível pré-pandemia, as vendas de veículos e motos ainda está 4,6% abaixo do patamar de fevereiro do ano passado.

— Esse aumento no mês foi puxado principalmente pelo setor de veículos, que tem uma base de comparação muito baixa e também não está nos patamares pré-pandemia, mas desde abril vem se recuperando. Material de construção também cresceu pelo segundo mês consecutivo — diz o pesquisador.

Se comparado o atual desempenho de todas as atividades do setor, incluindo o varejo ampliado, com o período pré-pandemia, metade das atividades ainda estão abaixo do patamar registrado em fevereiro de 2020.

Tecidos, vestuário e calçados ainda amargam queda de 3,1% nessa comparação, seguido de combustíveis e lubrificantes (-3,4%), veículos, motos e peças (-4,6%), equipamento e material para escritório (-5,4%) e livros, jornais e revistas (-37,1%).

No campo positivo, materiais de construção avançaram 21,9% nessa comparação, seguido de outros artigos de uso pessoal e doméstico (18%), artigos farmacêuticos (10,8%), hiper e supermercados (3,5%) e móveis e eletrodomésticos (1,6%).

Analistas e empresários do setor estimam que o avanço da vacinação tende a reduzir a necessidade de restrições à mobilidade e aumentar a confiança dos consumidores. Índice de Confiança do Comércio (ICOM), do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da FGV, subiu 2,0 pontos em junho, ao passar de 93,9 para 95,9 pontos, nível mais alto desde setembro de 2020.

Por outro lado, o desemprego que se mantém no patamar recorde, a inflação alta e o crédito mais caro, em razão da elevação dos juros, desafiam a resiliência do comércio no segundo semestre e afetam o consumo das famílias.

Segundo a última pesquisa Focus divulgada pelo Banco Central, a projeção do mercado para a inflação de 2021 subiu de 5,97% para 6,07% - muito acima do teto da meta, de 5,25%.

O economista do banco Goldman Sachs, Alberto Ramos, lembrou, em relatório, que as vendas no varejo contraíram durante o primeiro trimestre do ano em razão da pausa nas transferências fiscais como o auxílio emergencial, além da aceleração da inflação e restrições à mobilidade por conta do avanço da Covid-19.

Com a saída das medidas de restrições e a renovação das medidas emergenciais, como o auxílio emergencial e o programa de redução de salário e jornada para evitar demissões, o banco espera que o setor do varejo se recupere no segundo trimestre e apresente expansão no segundo semestre.

"(...) Em conjunto com o progresso do programa de vacinação da Covid, a reabertura gradual da economia e o estímulo fiscal renovado", definiu Ramos, em relatório.

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