Vendas nos supermercados ficam estáveis nos dois primeiros meses do ano

Flávia Albuquerque - Repórter da Agência Brasil

As vendas do setor supermercadista caíram 0,07% nos dois primeiros meses deste ano na comparação com o mesmo período do ano passado, o que, segundo o presidente da Associação Brasileira de Supermercados (Abras), João Sanzovo Neto, mostra estabilidade do indicador.

Em fevereiro, a queda real nas vendas (descontada a inflação) foi de 1,93% em relação a janeiro. Na comparação com fevereiro de 2016, houve alta de 4,56%. No acumulado de 12 meses, a Abras registra crescimento de 5,02%.

“Isso mostra uma estabilidade, considerando que, no ano anterior, fevereiro teve 29 dias e, neste, 28. Podemos dizer que estamos praticamente estáveis, estagnados, andando de lado, mas não caindo mais. Estamos no porão do poço, e não deve ter mais subsolo aí”, comparou.

Todas as regiões do país registraram queda nas vendas dos supermercados em fevereiro. No Nordeste, as vendas caíram 3%; no Sudeste, 1,80%; no Centro-Oeste, 1,43%; no Norte, 0,99%; e no Sul, 0,54%.

Produtos

O preço da cesta de produtos Abrasmercado, que analisa 35 produtos de largo consumo, caiu 1,49%, passando de R$ 479,64 em janeiro para R$ 472,51 em fevereiro. No acumulado de janeiro e fevereiro, o valor da cesta subiu 3,57%.

Entre os itens com maiores altas estão o xampu (4,13%), a farinha de mandioca (1,38%), o sal (0,99%) e o açúcar (0,90%). As maiores quedas ficaram com o feijão (-10,84%), a cebola (-9,96%), a batata (-8,06%) e o frango congelado (-6,22%).

Índice de Confiança

De acordo com o Índice de Confiança do Supermercadista, os empresários do setor estão mais otimistas com o cenário macroeconômico. Na pesquisa de fevereiro, o índice ficou em 56,1 pontos, o que aponta para uma perspectiva positiva na comparação com dezembro do ano passado (50,5 pontos).

“A tendência é de crescimento moderado, de acordo com vários indicadores como o desemprego, que é o que ainda está segurando o crescimento mais forte, mas sabemos que, em termos econômicos, quando o desemprego começa a ficar alto, ele é o último índice a ser recuperado em uma crise”, disse Sanzovo.

Carne Fraca

Segundo o presidente da Abras, apesar de ser muito cedo para uma avaliação, o setor ainda não registrou quedas perceptíveis na vendas de carnes depois da Operação Carne Fraca, da Polícia Federal. “Houve algumas dúvidas, o consumidor questionou algumas marcas, substituiu momentaneamente, mas, a cada dia, que passa fica mais claro que não existe risco de saúde pública.”