Vendas do varejo frustram previsões e despencam 6,1% em dezembro, no pior resultado para o mês em 20 anos

Raphaela Ribas
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As vendas no varejo brasileiro tiveram forte queda em dezembro, informou nesta quarta-feira o IBGE. O setor amargou perdas de 6,1% frente a novembro, já considerando o ajuste sazonal, num resultado bem pior do que o previsto pelo mercado financeiro. Analistas estimavam, em média, uma queda de só 0,6%, segundo o Valor Data. Foi a maior queda para dezembro desde 2000, quando teve início a série histórica da Pesquisa Mensal do Comércio (PMC).

Com isso, o setor fechou 2020 com alta de 1,2% nas vendas, num ano em que viveu uma montanha-russa, com fortes perdas em março e abril, após o fechamento das atividades devido à pandemia do coronavírus e, depois, uma retomada acelerada a partir de maio com o pagamento do auxílio emergencial.

Em novembro, o setor havia recuado 0,1%, após seis meses seguidos de alta. A queda nas vendas nos últimos meses já reflete a redução no pagamento do benefício social, já que, a partir de setembro, o valor do auxílio foi reduzido à metade.

No comércio varejista ampliado, que inclui vendas dos setores de automóveis e material de construção, houve recuo de 3,7% em relação a novembro. No ano, fechou em queda de 1,5%.

"Os resultados da pesquisa costumam ter variações menores, mas com a pandemia, houve uma mudança deste cenário", explica o gerente a pesquisa Cristiano Santos.

Em janeiro, a crise deve ter se acentuado, com o fim do pagamento do auxílio e supermercados já relatam impacto nas vendas.

O comércio em hiper e supermercados têm um peso maior para a pesquisa do comércio feita pelo IBGE, respondendo por quase metade do resultado total. “O que acontece nos mercados influencia bastante a pesquisa. E, por conta dos resultdos recentes do IPCA, o volume de vendas acabou sendo afetado”, justifica.

Segundo Santos, o resultado de dezembro é um reposicionamento natural de desempenho do setor, já que o patamar estava muito alto com a recuperação das vendas em outubro e novembro. No momento em que houve flexibilização do distanciamento social, o comércio chegou a ultrapassar o patamar pré-pandemia, de fevereiro.

Analistas já esperavam que o comércio perdesse fôlego no fim do ano. As vendas da Black Friday, em novembro, seguida pela de Natal, em dezembro, não foram suficientes para compensar a alta taxa de desemprego e o impacto da redução e do fim do auxílio emergencial.

Com a queda do poder de compra da população e a dependência da vacina em massa para a retomada do mercado de trabalho e de serviços, o comércio deve permanecer em baixa por todo o primeiro trimestre, segundo especialistas.