Vendedora acusa escrivão de assédio sexual dentro de delegacia em SP

Após o episódio de assédio, a jovem procurou uma advogada da cidade, relatou o ocorrido e conseguiu ajuda para fazer um boletim de ocorrência contra o escrivão - Foto: Getty Images
Após o episódio de assédio, a jovem procurou uma advogada da cidade, relatou o ocorrido e conseguiu ajuda para fazer um boletim de ocorrência contra o escrivão - Foto: Getty Images

A corregedoria da Polícia Civil está investigando a denúncia de uma vendedora de 22 anos que afirma ter sido assediada sexualmente por um escrivão dentro de uma sala trancada da Central de Polícia Judiciária (CPJ) de Franca, em São Paulo.

O fato teria ocorrido no último dia 23 de agosto, quando a jovem foi intimada para comparecer à delegacia após ter perdido os documentos pessoais.

De acordo com a vendedora, em um determinado momento o policial pediu seu celular, e sem dar qualquer explicação a ela, começou a mexer no aparelho procurando por fotos até encontrar uma imagem íntima dela, enviada ao namorado.

Depois de continuar mexendo no aparelho celular e fazer comentários com cunho sexual, o policial se levantou e teria trancado a porta da sala onde colhia o depoimento da vendedora.

O agente pegou a jovem pelo braço e a conduziu até algumas cortinas, pegou a própria cadeira e se sentou tirando sua calça. Com a arma em cima da mesa, obrigou a vítima a fazer sexo oral e ainda passou as mãos nas partes íntimas da mulher, segundo ela.

Após o episódio, a jovem procurou uma advogada da cidade, relatou o ocorrido e conseguiu ajuda para fazer um boletim de ocorrência contra o escrivão.

Kátia Teixeira Viegas, advogada da vendedora, informou que além do caso da vendedora, outros dois casos contra o mesmo policial foram relatados a ela. Um foi em 2018, com registro de boletim de ocorrência, e o outro em 2020, atendido por um advogado amigo dela em São Paulo, mas que a vítima ainda não registrou o B.O.

Nos dois casos, as vítimas disseram que o escrivão pegou o celular delas e começou a procurar fotos íntimas. Depois, mesmo não encontrando, obrigavam as mulheres a ficarem nuas.

As duas denúncias chegaram até Kátia após o caso de a vendedora ter se tornado público em Franca.

A Secretaria de Segurança Pública informou, em nota, que a corregedoria da Polícia Civil abriu um procedimento administrativo para apurar o caso e que o escrivão vai ser realocado para outra função.

“A SSP esclarece que a Polícia Civil não compactua com desvios de conduta e se mantém diligente em relação às denúncias ou indícios de transgressões ou crimes cometidos por seus agentes”, afirmou no documento.

Trauma

A vendedora conta que por conta do ato do agente dentro da delegacia, enfrenta problemas psicológicos.

“Está sendo para mim muito difícil, eu não estou dormindo, não estou comendo, estou vomitando. À noite para mim é o pior, porque acho que é o momento que eu deito e falo: ‘Meu Deus, quando isso vai acabar?’.

Ela ainda cita que apesar de ser a palavra dela contra a do escrivão, ela quer justiça.

“Eu sei que independente do tempo que passe, eu não vou esquecer. Então, eu quero que a Justiça seja feita”, disse. “É a minha palavra contra a dele, mas a minha verdade está comigo e vou com ela até o fim”.