Venezuela é 'elefante na sala' da América do Sul, diz Ernesto

SYLVIA COLOMBO
***FOTO DE ARQUIVO**** BRASÍLIA, DF, 02.07.2019 - O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Ernesto Araújo, concede entrevista coletiva sobre o acordo entre o Mercosul e a União Europeia. (Foto Charles Sholl/Brazil Photo Press/Folhapress)

SANTA FÉ, ARGENTINA (FOLHAPRESS) - O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Ernesto Araújo, disse que a Venezuela se tornou um "elefante na sala" para a América do Sul nesta terça-feira (16) durante a cúpula do Mercosul em Santa Fé, na Argentina. 

Ernesto afirmou que a crise no país é o grande desafio que impede que a América do Sul seja "um dos centros geradores de crescimento, tecnologia e prosperidade". 

Para ele, a ditadura venezuelana "se dedica apenas a se manter no poder a qualquer custo", o que prejudica os demais países do continente. "O resto do mundo olha para nós com imensa expectativa, só que a primeira pergunta é: 'e a Venezuela?'." 

A declaração do chanceler brasileiro ocorre no mesmo dia em que a União Europeia (UE), que recentemente fechou um acordo de livre comércio com o Mercosul, anunciou que prepara uma nova rodada de sanções contra as forças de segurança venezuelanas envolvidas em violações de direitos humanos. 

Federica Mogherini, chefe de política externa da UE, afirmou que a morte de Rafael Acosta é um "exemplo contundente" da situação grave do país. 

Acosta foi detido em 21 de junho por suposta participação em um plano para depor o ditador Nicolás Maduro, mas morreu após uma semana sob custódia da agência de inteligência militar DGCIM. Advogados disseram que ele mostrou sinais de espancamentos severos.

As autoridades venezuelanas enterraram o corpo contra os desejos da família, que exigiam a realização de uma autópsia. 

"A União Europeia está pronta para adotar medidas que visem os membros das forças de seguranças envolvidos em episódios de tortura e outras violações de direitos humanos", afirmou Mogherini.

Os Estados Unidos também anunciaram, no último dia 11, novas sanções contra o órgão de contrainteligência venezuelano após a morte de Acosta. 

A representante da UE afirmou ainda que, caso não houvesse avanços nas negociações entre a oposição e o regime de Nicolás Maduro, o bloco poderia aumentar as sanções.