Venezuela apoiará na COP27 fundos para mitigar efeitos das mudanças climáticas e proteger Amazônia

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, disse que vai apoiar propostas de fundos financiados por países ricos para mitigar os efeitos das mudanças climáticas e proteger a Amazônia, ao desembarcar no Egito neste sábado (5) para a conferência internacional do clima COP27.

"Concordamos com a proposta" de criar "fundos de financiamento sobretudo para tarefas de mitigação (dos efeitos das mudanças climáticas) nos países do sul e para que aqueles que poluem, hoje, ainda hoje, paguem", afirmou Maduro em declarações transmitidas pela televisão estatal venezuelana, VTV.

A conferência começará no domingo na cidade de Sharm el-Sheikh e se estenderá até 18 de novembro.

Maduro também mencionou um fundo semelhante para a proteção da floresta amazônica, proposto pelo presidente da Colômbia, Gustavo Petro.

“Vamos trazer propostas concretas” para que “os governos poderosos do mundo se comprometam a financiar a recuperação da Amazônia”, declarou o líder venezuelano.

"Há uma proposta que discutimos com o presidente Gustavo Petro e que também conversei com o presidente (eleito brasileiro) Lula da Silva" para "retomar a defesa da Amazônia" e "reverter de forma categórica, com muita firmeza, todos os processos de destruição da Amazônia como grande pulmão do mundo", disse.

Maduro apontou que as consequências das mudanças climáticas são visíveis, ao vinculá-las às chuvas torrenciais que atingiram a Venezuela nas últimas semanas e deixaram cerca de 80 mortos.

“Todos os dias temos inundações, colapsos, deslizamentos de terra, porque há um acúmulo de calor no mar do Caribe que gera chuvas torrenciais, o que gera um acúmulo excessivo de chuva”, afirmou. "São os efeitos diretos das mudanças climáticas."

O governo de Maduro, porém, tem sido criticado por suas políticas de extração no chamado 'Arco Mineiro do Orinoco', uma extensa região no sul da Venezuela rica em ouro e outros minerais, como ferro e coltan.

Organizações ambientalistas denunciam um "ecocídio" na área, em que proliferam grupos violentos que tentam controlar a mineração ilegal.

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