Venezuela dá 72 horas para embaixadora da UE deixar o país

Esteban ROJAS
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O ministro venezuelano das Relações Exteriores, Jorge Arreaza no Palácio Miraflores

A Venezuela declarou persona non grata e expulsou a embaixadora da União Europeia em Caracas, dando 72 horas para que deixe o país após novas sanções do bloco contra funcionários venezuelanos, anunciou o chanceler Jorge Arreaza nesta quarta-feira (24).

"Hoje, por decisão do presidente Nicolás Maduro, entregamos nas mãos da senhora Isabel Brilhante (...) a declaração como persona non grata", disse Arreaza à imprensa após uma reunião com a diplomata em Caracas.

"Foi dado um prazo de 72 horas para abandonar o território venezuelano".

A União Europeia reagiu nesta quarta e pediu para reverter a decisão do governo venezuelano.

"A UE lamenta profundamente esta decisão, que só levará a um maior isolamento internacional da Venezuela. Pedimos que esta decisão seja revertida", disse a porta-voz Nabila Nasrali.

Ela acrescentou que a Venezuela "só vai superar a atual crise mediante negociação e diálogo, com o qual a UE está sempre comprometida, mas a quem esta decisão afeta diretamente".

O governo de Maduro respondeu assim às sanções contra 19 funcionários, incluindo Remigio Ceballos, um dos principais líderes militares da Venezuela; Indira Alfonzo, presidente do Conselho Nacional Eleitoral (CNE); e dois congressistas.

Pouco depois, Arreaza entregou cartas de protesto ao embaixador da França em Caracas, Romain Nadal, e a representantes da Alemanha, Espanha e Holanda, pedindo aos seus governos para "reavaliar" sua posição em relação à Venezuela.

"Como hoje dissemos adeus em português porque a senhora Brilhante é portuguesa de origem, não queremos ter que dizer adiós, auf wiedersehen ou au revoir", disse o chanceler.

Os 19 funcionários venezuelanos foram acusados de prejudicar a democracia após as eleições parlamentares de 6 de dezembro, boicotadas e denunciadas como fraude pelos maiores partidos políticos opositores.

As votações, não reconhecidas por Estados Unidos, União Europeia e vários países da América Latina, deram ao partido do governo e seus aliados 256 das 277 cadeiras do Parlamento, dando a Maduro o controle do único poder que estava nas mãos de seus adversários.

A União Europeia havia pedido, sem sucesso, o adiamento dessas eleições, visando buscar condições que garantissem a participação da oposição.

Na terça-feira, o novo Parlamento pediu a Maduro a expulsão de Brilhante, que ocupava o cargo de embaixadora da União Europeia desde outubro de 2017. Além disso, também pediu para revisar o acordo de funcionamento do escritório do bloco em Caracas.

Arreaza planeja se reunir nesta quarta com o embaixador da França, Romain Nadal, e representantes diplomatas da Alemanha, Espanha e Holanda.

- Medidas "ilegais" -

Arreaza chamou as medidas de "ilegais": "É realmente inaceitável".

A Venezuela se tornou o primeiro país latino-americano a ser sancionado pela UE em 2017, que desde então aprovou medidas contra 55 funcionários venezuelanos, que incluem a proibição de viajar para o seu território e o congelamento de bens.

Em 29 de julho, após outro pacote de sanções, Maduro declarou Brilhante como persona non grata e também lhe deu 72 horas para deixar a Venezuela. No entanto, quando esse prazo expirou, o governo socialista recuou, pedindo "gestos" do bloco em troca.

Naquela ocasião, em um comunicado conjunto, Borrell e Arreaza "concordaram com a necessidade de manter o marco das relações diplomáticas, especialmente em um momento em que a cooperação entre ambas as partes pode facilitar os caminhos do diálogo político" em prol das soluções para a crise venezuelana.

"Espero que haja uma reflexão na União Europeia, espero possamos reconstruir as pontes de entendimento, de diálogo, espero que aprendam a respeitar", insistiu Arreaza nesta quarta-feira.

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