Venezuela deixará OEA caso haja reunião de chanceleres sobre crise

A ministra venezuelana das Relações Exteriores, Delcy Rodríguez, em Caracas, em 29 de março de 2017

A Venezuela iniciará o processo de saída da OEA caso a instituição realize uma nova reunião de ministros das Relações Exteriores para avaliar a crise no país, advertiu nesta terça-feira a chanceler Delcy Rodríguez.

"Se ocorrer alguma reunião de chanceleres da Organização dos Estados Americanos (OEA) sem o aval e o consentimento do governo da Venezuela, tenho a instrução (do presidente Nicolás Maduro) de iniciar o procedimento de saída da Venezuela", disse Rodríguez ao canal estatal VTV.

A OEA avaliará a possibilidade de convocar uma reunião de chanceleres sobre a crise na Venezuela durante uma sessão extraordinária de seu Conselho Permanente nesta quarta-feira.

A sessão, a quinta na OEA sobre a Venezuela em um mês, foi solicitada por 16 de seus 34 membros que, "considerando a crescente preocupação" continental sobre esse país, buscam elevar o debate a nível ministerial.

"Não vamos seguir permitindo violações à legalidade, violações à institucionalidade e arbitrariedades", disse Rodríguez, que acusa o secretário-geral da OEA, Luis Almagro, de promover "um plano de intervenção e tutela" com o apoio dos Estados Unidos.

A petição foi apresentada por Argentina, Argentina, Barbados, Brasil, Canadá, Chile, Colômbia, Costa Rica, Estados Unidos, Honduras, Jamaica, Guatemala, México, Panamá, Paraguai, Peru e Uruguai, que lhe atribuem "caráter urgente e de interesse comum".

A grande maioria desses países apoiou em 3 de abril uma resolução do Conselho Permanente que declarou uma "grave alteração inconstitucional" na Venezuela, baseados na Carta Democrática Interamericana, um documento da OEA de vigilância da democracia no continente.