Equador presume que funcionários de jornal sequestrados estão na Colômbia

Quito, 27 mar (EFE).- O ministro equatoriano do Interior, César Navas, confirmou nesta terça-feira o sequestro de três trabalhadores do jornal "El Comercio", de Quito, na província de Esmeraldas, fronteiriça com a Colômbia, e afirmou que presume-se que foram levados para esse país e que estão bem.

Em um comparecimento perante a imprensa no palácio de Governo, Navas disse que os três trabalhadores do jornal, aparentemente dois jornalistas e um motorista, "foram sequestrados ontem".

"Isto ocorreu durante a manhã no cantão San Lorenzo, província de Esmeraldas", disse ao comentar que existe um registro de que as três pessoas passaram pela reserva militar e que "receberam as advertências correspondentes ao risco de circular por esta zona, o limite político internacional".

O ministro disse que presume-se que os sequestrados "estão na Colômbia", por isso acrescentou que a equipe especializada da polícia trabalha sobre essa hipótese.

Navas acrescentou que após ser informado sobre o sequestro, autoridades do país se reuniram com os representantes legais do jornal, bem como com familiares dos afetados, a quem deu mais detalhes do ocorrido e explicou os protocolos do caso.

As unidades especializadas da polícia equatoriana trabalham para solucionar a situação, indicou o ministro, que apontou que o Governo não poupará "nenhum esforço para proteger a vida e integridade" dos afetados.

Sem entrar em detalhes, avaliou que os sequestrados "estão bem".

Consultado sobre se houve algum tipo de contato por parte dos sequestradores, Navas revelou que "já existiu um contato".

"Não podemos dar mais detalhes porque é um processo próprio da investigação e da operação que está sendo realizada e também para salvar a integridade dos nossos cidadãos", disse.

No comparecimento, também transferiu a condenação do presidente do Equador, Lenín Moreno, e sua solidariedade aos familiares dos sequestrados.

"Condenamos energicamente qualquer ato que atente contra a vida e os direitos dos equatorianos", disse antes de anunciar que, por ordem de Moreno, foi convocado o Conselho de Segurança Pública e do Estado, máximo órgão de segurança do país.

Além disso, foi imposta a proibição da circulação de cidadãos que não habitem nas zonas próximas ao limite político internacional no cantão San Lorenzo, onde desde janeiro rege um estado de exceção após a explosão de um carro-bomba, que deixou 28 feridos.

O ministro considerou que os ataques que ocorreram nas últimas semanas, oito sem contar o sequestro, correspondem a represálias da delinquência organizada e do narcotráfico pelo sucesso das operações de controle das Forças Armadas do Equador.

"O que temos que entender é onde opera a ameaça, a ameaça não está operando no nosso território. No nosso país não estão os cultivos, não estão os laboratórios de drogas", sublinhou, ao acrescentar que o país enfrenta uma ameaça com um "inimigo difícil, mas que não opera no nosso território".

Navas assegurou que frente a estas ameaças, as forças equatoriana se mantêm do seu lado da fronteira e voltou a invocar o pedido de seu governo à Colômbia para que garanta a segurança no seu lado da fronteira.

"Vamos reiterar e revisar" com a imprensa os protocolos para o trabalho na zona, apontou o ministro ao pedir aos jornalistas e à população que não se exponham aos perigos e riscos dessa zona. EFE