Maduro denuncia que fundos bloqueados por sanções financiam planos de violência

O presidente de Venezuela, Nicolás Maduro, durante uma entrevista à imprensa, no dia 11 de março de 2019 em Caracas

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, denunciou neste sábado que os fundos estatais bloqueados por sanções internacionais financiam planos de "ações terroristas" e acusou o líder da oposição Juan Guaidó e seu partido político de um complô fracassado para assassiná-lo.

"O fantoche diabólico acabou de desmantelar um plano, que ele pessoalmente dirigiu, para me matar", disse Maduro diante de milhares de chavistas que marcharam para o palácio do governo em Caracas, referindo-se a Guaidó, chefe do Parlamento reconhecido por mais de 50 países como presidente interino da nação do petróleo.

Maduro disse que o partido de Guaidó, Voluntad Popular, "maneja milhões de dólares" nesta conspiração.

Maduro descreveu como "grupo terrorista" o partido, fundado pelo líder da oposição em prisão domiciliar, Leopoldo López. "Não vamos perder o pulso para que esses criminosos sejam presos um a um", advertiu.

Antes do presidente discursar, seu ministro da Comunicação e Informação, Jorge Rodriguez, disse em comunicado televisionado que "informações de inteligência" revelaram que "assassinos contratados" recrutados em El Salvador, Guatemala e Honduras foram enviados para a vizinha Colômbia para entrar na Venezuela.

Rodriguez acusou Roberto Marrero, chefe de gabinete de Guaidó, de atuar como "grande organizador" da suposta operação, que teria como objetivos - entre outros - executar "assassinatos seletivos" e "sabotagem" de serviços públicos.

O funcionário divulgou capturas de tela de supostas conversas via WhatsApp entre Marrero e Guaidó em que ele teria coordenado o uso de 1 bilhão de dólares, vindo de fundos bloqueados por sanções, para financiar grupos irregulares com o apoio do governo do presidente colombiano Ivan Duque.

Lendo um fragmento desses supostos contatos, Rodriguez disse que Marrero se comunicou com Guaidó depois de se comprometer entregar "entre 500 e 700 mil dólares por dia" a "assassinos".

"Sr. Marrero disse ao senhor Guaidó: 'Pergunte a Duke', assumimos que se refere a Iván Duque (...), 'uma ONG para canalizar os fundos'".

O ministro denunciou que as contas do Banesco Panamá e do Bank of America seriam usadas para esse fim.

Ao reafirmar a denúncia de Rodríguez, Maduro anunciou que um chefe paramilitar colombiano foi capturado na Venezuela, sem identificá-lo.

Guaidó pede à comunidade internacional que mantenha a pressão contra o governo de Maduro com sanções internacionais, que, segundo Rodriguez levou ao bloqueio de cerca de 30 bilhões de dólares.