Venezuela denuncia 'provocação' da Guiana por exercícios militares com EUA

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O governo venezuelano classificou nesta segunda-feira (11) como uma "provocação" e uma "ameaça" os exercícios militares que a Guiana realiza junto com os Estados Unidos em suas costas, em meio a novas tensões em torno do centenário conflito fronteiriço.

A operação representa "uma ameaça para toda a região, para a paz ... e vemos esses exercícios como uma clara provocação aos interesses do país", disse o ministro da Defesa, Vladimir Padrino, em entrevista coletiva em Caracas.

“Estamos muito cientes de que esses exercícios militares não são realizados em águas jurisdicionais da Venezuela”, disse a vice-presidente Delcy Rodríguez.

A Força de Defesa da Guiana (GDF) divulgou no sábado fotos de sua guarda costeira e das embarcações dos Estados Unidos, "o primeiro de vários exercícios conjuntos", acordado pelos dois países em um pacto de cooperação marítima para 2020.

O chefe do Comando Sul dos Estados Unidos, Craig Faller, cumpre desde segunda-feira uma visita à Guiana que vai até quarta-feira, e na qual pretende se reunir com o presidente Irfaan Ali e outras autoridades para discutir "a associação bilateral de segurança" entre os dois países.

Guiana e Venezuela disputam quase 160.000 km² localizados a oeste do rio Essequibo, que constituem quase dois terços da ex-colônia britânica. É uma área rica em minerais e florestas e inclui uma zona marítima com recursos petrolíferos.

A Corte Internacional de Justiça (CIJ) anunciou a jurisdição sobre essa disputa de fronteira em dezembro, mas a Venezuela rejeita e pede uma negociação direta entre as partes.

Georgetown defende um limite territorial estabelecido em 1899 por meio de um tribunal arbitral em Paris, enquanto Caracas reivindica o Acordo de Genebra, assinado em 1966 com o Reino Unido antes da independência da Guiana, que estabeleceu as bases para uma solução negociada e anulou o tratado anterior.

O presidente Nicolás Maduro exortou na semana passada o secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, a "reavivar o diálogo" entre os dois países para chegar a uma "solução verdadeiramente negociada, amigável e definitiva".

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