Venezuela e Colômbia retomam relações com foco no comércio

Venezuela e Colômbia retomaram formalmente suas relações, com a chegada a Caracas neste domingo do embaixador colombiano Armando Benedetti, após três anos de ruptura diplomática.

"As relações com a Venezuela nunca deveriam ter sido rompidas. Somos irmãos e uma linha imaginária não pode nos separar, muitíssimo menos uma política pública de Estado, como aconteceu com o presidente Iván Duque. Iremos restabelecer as relações com a Venezuela", afirmou o ex-senador Benedetti no Twitter.

O diplomata colombiano assinalou que mais de 8 milhões de colombianos vivem do comércio binacional, motivo pelo qual um dos objetivos é restabelecer as relações comerciais entre os dois países. Expectativa semelhante existe do lado venezuelano, onde industriais anseiam por normalizar o comércio que existiu por anos anos.

Benedetti foi recebido na Venezuela pelo vice-chanceler, Rander Peña Ramírez. "Em nome do presidente Nicolás Maduro, damos as boas-vindas a Armando Benedetti. Nossos laços históricos nos convocam a trabalhar juntos pela felicidade dos nossos povos. Bem-vindo!" comemorou Penã em um tuíte com imagens do encontro.

O chanceler da Venezuela, Carlos Faría, destacou que a chegada de Benedetti representa o início do resgate das relações entre os dois países. "Recebemos com entusiasmo o embaixador colombiano em nosso país, confiantes e cheios de esperança de que este será um novo começo para aprofundar os laços de fraternidade e cooperação entre nossos povos e, assim, avançarmos juntos", tuitou.

Após a chegada ao poder do esquerdista Gustavo Petro na Colômbia, ambos os países designaram embaixadores para normalizar suas relações diplomáticas, rompidas em 2019. O presidente esquerdista colombiano Gustavo Petro e seu par venezuelano, Nicolás Maduro, anunciaram no último dia 11 o nome de seus representantes diplomáticos: o ex-chanceler Félix Plasencia é o embaixador venezuelano em Bogotá, enquanto Benedetti irá atuar em Caracas.

- Projeções comerciais -

Os dois países romperam relações em 2019, ápice de um vínculo marcado por tensões em duas décadas de confrontos entre o chavismo e o período de direita iniciado por Álvaro Uribe, que terminou com a chegada de Petro ao poder.

Um restabelecimento anterior dos laços era impossível, uma vez que o presidente colombiano Iván Duque não reconhecia Maduro como seu par, e sim o líder opositor Juan Guaidó, por considerar que a reeleição do primeiro foi fraudulenta.

Espera-se que a normalização das relações impulsione o comércio, que estava perto de 7,2 bilhões de dólares em 2008, mas entrou em colapso com o fechamento parcial da fronteira em 2015 e total em 2019. A Câmara Colombiano-Venezuelana trabalha com projeções comerciais de 800 milhões a 1,2 bilhão de dólares em 2022, depois que, no ano passado, a cifra foi de cerca de 400 milhões.

Além disso, a questão migratória é crucial, uma vez que milhares de pessoas cruzam a fronteira todos os dias. A Colômbia abriga 2 milhões dos 6 milhões de venezuelanos que emigraram devido à crise em seu país, os quais receberam permissão para trabalhar e acessar serviços públicos.

A fronteira de mais de 2.000 km compartilhada pelos dois países também é cenário de confrontos entre grupos armados e forças públicas, em meio a denúncias do ex-presidente Duque contra Maduro, acusado de abrigar dissidentes das Farc, guerrilheiros do ELN e narcotraficantes.

mbj/erc/yow/lb