Venezuela emite alerta vermelho contra autoridades do Parlamento simbólico de 2015

A Venezuela emitiu um "alerta vermelho" na Interpol para pedir a detenção por "usurpação de funções" das três integrantes da nova direção do Parlamento simbólico eleito em 2015, cuja continuidade é defendida pela oposição, anunciou, nesta segunda-feira (9), o Ministério Público.

"Solicitamos um alerta vermelho internacional", disse o procurador-geral do país, Tarek William Saab, em uma declaração à imprensa na qual classifica como "criminosas" as novas autoridades do Parlamento opositor, reconhecido pelos Estados Unidos e outros países como a última instituição democraticamente eleita noa Venezuela, apesar de seu mandato ter chegado ao fim no ano passado.

No último sábado à noite, foram emitidos mandados de prisão contra Dinorah Figuera, que substituiu o líder oposicionista Juan Guaidó como presidente da Assembleia Nacional de 2015, e suas primeira e segunda vice-presidentes, Marianela Fernández e Auristela Vásquez.

As três vivem no exterior e foram nomeadas após um conflito interno na oposição que levou à dissolução da figura do "governo interino" de Guaidó, que também era endossado por Washington.

"Veremos o que a Espanha e os Estados Unidos farão neste caso em relação a este pedido que o Ministério Público fez", disse Saab, que informou que seu gabinete também pediu a "apreensão dos bens" das opositoras na Venezuela, o "bloqueio e imobilização de contas" e a proibição "de alienar e vender" propriedades.

Figuera, em videoconferência, minimizou a ordem de prisão contra ela e lembrou ter "asilo político" na Espanha: "Se a ditadura pretende tomar medidas contra a Junta Diretora, em princípio, não poderá".

Saab informou que também foi solicitada a prisão do secretário da Assembleia Nacional de 2015, José Figueredo Márquez, e de seu subsecretário, Luis Alberto Bustos.

Com esta nova investigação, o número de processos abertos pelo Ministério Público contra o antigo Parlamento de maioria opositora chega a 27, com 65 mandados de detenção.

Guaidó é alvo de inúmeras investigações, sem que isso tenha levado à sua prisão.

"Às vezes os tempos da justiça não são os tempos que gostaríamos", disse o líder chavista Diosdado Cabello, ao apoiar as ações do Ministério Público contra a oposição e Guaidó.

"A justiça deve chegar a todos, não se trata de vingança, mas sim de justiça e é assim que deve ser feita."

O Parlamento no poder, controlado pelo Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV) de Maduro desde sua vitória nas eleições legislativas de 2020, anunciou que acompanhará a investigação do Ministério Público.

A oposição defende a continuidade da Assembleia Nacional de 2015, denunciando estas últimas eleições como uma "fraude".

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