Venezuela endurece confinamento em Caracas por avanço da COVID-19

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Pessoas andam em frente à Assembleia Nacional em Caracas, em 14 de julho de 2020
Pessoas andam em frente à Assembleia Nacional em Caracas, em 14 de julho de 2020

A partir desta quarta-feira (15), um endurecimento do confinamento em Caracas e no estado vizinho de Miranda entrou em vigor devido ao avanço da pandemia de COVID-19 na Venezuela, anunciou o presidente Nicolás Maduro.

A radicalização da quarentena ordenada pelo presidente socialista obriga o fechamento do comércio, com exceção dos supermercados, farmácias e outros serviços considerados essenciais. Apesar da medida, inúmeras pessoas circulavam desde cedo em diferentes locais da capital da Venezuela.

"Há muita gente nas ruas (...) Temos que levar comida para casa", comentou à AFP Francis Moreno, comerciante da emblemática zona comercial de Sabana Grande.

"Devido ao aumento nos casos de COVID-19, como resultado da entrada ilegal de pessoas no país, e seguindo as recomendações da Comissão Presidencial, tomei a decisão de aplicar quarentena radical e necessária em Caracas e no estado de Miranda! Cuidar da saúde vem em primeiro lugar!", anunciou Maduro no Twitter.

Segundo os números oficiais, questionados pela oposição e organizações como Human Rights Watch por considerá-los "pouco confiáveis", o país de 30 milhões de habitantes registra 10.010 casos e 96 mortes. Dos casos confirmados, 1.079 correspondem à capital, e 889 a Miranda.

Um esquema de confinamento, chamado por Maduro de "7+7", está vigente desde junho. Nele, alternam-se sete dias de "quarentena radical" com sete de "flexibilização", o que permite as atividades de setores econômicos distintos a funcionar, como alimentação, saúde e segurança.

A decisão de Maduro exclui Caracas do período de flexibilização que seria correspondente a essa semana.

Postos de segurança com policiais e militares que fiscalizam motoristas foram instalados em várias avenidas de Caracas e de Miranda.

"As pessoas saem, essa quarentena não está radical", contou à AFP Francisco Rojas na Zona de Chacao.

A vice-presidente Delcy Rodríguez anunciou em 10 de julho a prorrogação por mais um mês do "estado de alarme" para controlar um "surto" do novo coronavírus no país, medida que fornece uma base legal para prolongar a quarentena, em vigor no país desde 16 de março.

Na semana passada, o número dois do governo, Diosdado Cabello, e o governador do estado de Zulia (oeste), Omar Prieto, confirmaram que contraíram COVID-19. Eles foram seguidos pelo ministro do Petróleo, Tareck El Aissami, colaborador próximo de Maduro.

A pandemia chegou à Venezuela em meio a uma crise inflacionária e seis anos de recessão, assim como um precário sistema de saúde pública.

A crise socioeconômica dificulta o cumprimento do confinamento em um país onde oito em cada 10 famílias não ganham dinheiro suficiente para sequer a cesta básica, segundo estudo acadêmico apresentado na última semana.