Venezuela pede em Cúpula Ibero-Americana acesso a fundos "apreendidos" em Portugal

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A vice-presidente Delcy Rodríguez, em coletiva em 24 de março em Caracas

A vice-presidente venezuelana, Delcy Rodríguez, pediu nesta quarta-feira (21) acesso "sem qualquer condicionamento político" aos fundos que estão bloqueados em um banco privado em Portugal para enfrentamento da pandemia de covid-19.

"Nesta comunidade ibero-americana há recursos apreendidos do povo venezuelano", afirmou Rodríguez durante sua participação - por videoconferência - na Cúpula Ibero-Americana de Andorra.

"Peço ao Presidente de Portugal, ao Primeiro-Ministro de Portugal, a quem saúdo a sua intervenção, que cooperem para que o povo venezuelano tenha acesso aos seus recursos; é um dinheiro, um patrimônio do povo venezuelano para que se possa enfrentar essa pandemia, e vamos fazer isso sem qualquer tipo de condicionamento político", ressaltou.

Consultado pela AFP, o Ministério das Relações Exteriores especificou que "mais de 1,6 bilhões de dólares é o montante que foi movimentado" de recursos congelados no banco privado Novo Banco, com sede em Portugal, mas com capital marjoritariamente americano.

Segundo a fonte, o Novo Banco mantém os fundos bloqueados, argumentando que "não sabe" se o dinheiro pertence ao governo de Nicolás Maduro, que Rodríguez representa, ou Juan Guaidó, líder da oposição reconhecido como presidente por cinquenta países, incluindo Portugal.

O governo afirmou que cerca de 7 bilhões de dólares estão bloqueados no exterior e seu ministro das Relações Exteriores, Jorge Arreaza, recentemente garantiu que esses recursos teriam sido suficientes para comprar todas as vacinas de que o país precisa.

A Venezuela, com 30 milhões de habitantes, recebeu menos de 1 milhão de vacinas russas e chinesas até agora, em meio a uma segunda onda do vírus, que sobrecarregou hospitais.

As autoridades reconhecem 186.000 casos suspeitos e 1.944 mortes, mas foram acusadas de manter uma enorme subnotificação da doença.

A participação de Rodríguez na cúpula foi criticada pelo presidente equatoriano Lenín Moreno, que rejeitou sua inclusão na lista de palestrantes.

Os presidentes da Colômbia, Peru e Uruguai também criticaram o governo Maduro.

"Peço desculpas para vozes menores de intolerância na sub-região de nossa América do Sul, vozes menores", observou Rodríguez, que, por causa das sanções, não pode comparecer ao território europeu.

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