Venezuela prorroga até 12 de junho 'estado de alarme' por COVID-19

O presidente venezuelano Nicolas Maduro discursa na TV em 9 de maio de 2020

O governo da Venezuela prorrogou por 30 dias, até 12 de junho, o "estado de alarme" declarado em 13 de março no país contra o novo coronavírus, uma decisão que dá base legal para estender a quarentena para enfrentar a pandemia.

"Vou renovar o decreto do estado de alarme por mais 30 dias para continuar protegendo nosso povo", disse o presidente Nicolás Maduro antes de assinar o documento em um evento transmitido pela televisão estatal nesta terça-feira (12).

No entanto, a movimentação de pessoas nas ruas de Caracas e outras cidades aumentou nos últimos dias. Milhões de venezuelanos vivem dia a dia, em meio a uma profunda crise econômica, com seis anos de recessão, hiperinflação e violenta desvalorização da moeda local. Além disso, há uma escassez exacerbada de combustível.

"Não vamos afrouxar, não é hora de afrouxar, é hora de apertar (...) a consciência!", disse Maduro nesta terça, pedindo respeito à quarentena.

Além desta segunda extensão declarada por Maduro, também foi anunciada a proibição de voos devido à pandemia do COVID-19, mantendo as restrições que começaram a ser aplicadas em meados de março, informou a autoridade aeronáutica venezuelana.

O Instituto Nacional de Aeronáutica Civil (Inac) divulgou "a extensão da restrição de operações aéreas no território nacional por 30 dias, de 12 de maio a 12 de junho".

"Operações" ligadas a tarefas de emergência, carga, correio ou repatriação de venezuelanos retidos no exterior são isentas, acrescenta o documento.

Em 12 de março, em uma primeira medida de restrição aérea após declarar uma "emergência" devido ao novo coronavírus, o governo de Nicolás Maduro ordenou a suspensão de voos que ligam a Venezuela à Europa e à Colômbia.

Nenhum caso da doença havia sido anunciado naquele momento no país, onde 422 infecções foram confirmadas até segunda-feira, segundo dados oficiais, com 10 mortes.

Em 14 de março, a proibição foi estendida a voos de e para a República Dominicana e Panamá e posteriormente foi estendida para o restante das operações.

Mesmo antes da pandemia, a atividade aérea na Venezuela entrou em colapso devido a um êxodo maciço de companhias aéreas por conta de dívidas estatais no valor de 3,8 bilhões de dólares, segundo a Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata), por falta de divisas para repatriar lucros de empresas no âmbito do controle cambial em vigor no país.

Apesar desse êxodo, empresas como Air France, Iberia e Turkish Airlines mantiveram voos para destinos como Paris, Madri ou Istambul, enquanto outras como Wingo ofereceram serviços a Bogotá.