Venezuela: serviço de Inteligência prende chefe de gabinete de Guaidó

Juan Guaidó se reúne com líderes locais em 14 de março de 2019, em Caracas

Agentes de Inteligência prenderam, nesta quinta-feira (21), Roberto Marrero, chefe de gabinete de Juan Guaidó, reconhecido como presidente interino da Venezuela por mais de 50 países.

O governo americano exigiu sua libertação imediata.

"Sequestraram @ROBERTOMARRERO, chefe do meu gabinete. Ele denunciou a viva voz que plantaram (na casa dele) dois fuzis e uma granada", tuitou Guaidó, exigindo que seja "solto imediatamente".

É "um sequestro vil, vulgar, que busca nos intimidar", mas "não vão nos tirar do caminho que traçamos", disse Guaidó em coletiva de imprensa após a prisão de Marrero.

Em tom desafiador, o chefe do Parlamento responsabilizou Maduro pela prisão e afirmou que o "regime mostra muita fraqueza" ao acreditar que vai "infundir medo" ou "desmobilizar" a oposição. "Como não podem prender o presidente interino, prendem os mais próximos", acusou.

Marrero foi detido na madrugada por agentes do Serviço Bolivariano de Inteligência (Sebin), após batidas em sua casa e na residência do deputado da oposição Sergio Vergara, que mora perto, no setor Las Mercedes, na capital.

Segundo Guaidó, líder do Parlamento de maioria opositora, o procedimento começou às 2h locais (3h em Brasília) e se desconhece o paradeiro de seu colaborador. O próprio Guaidó chegou a ser detido em 13 de janeiro passado, sendo solto uma hora depois.

"Neste momento, está entrando na casa do deputado Vergara e na minha casa um grupo forte do Sebin (...), estão derrubando a parede", disse Marrero em um áudio gravado durante a operação e divulgado nas redes sociais. Ao fundo, ouvem-se pancadas.

Quando foi levado preso, "gritou que plantaram dois fuzis e uma granada em sua casa. Eles (os funcionários do Sebin) o mandaram calar a boca e eu lhe disse que tivesse muita força", declarou Vergara à imprensa.

- Condenação dos EUA -

O secretário de Estado americano, Mike Pompeo, condenou o episódio e exigiu a "libertação imediata" de Marrero. "Exigiremos responsabilidades dos envolvidos", tuitou Pompeo.

Washington lidera o grupo de nações que reconhecem Guaidó como presidente encarregado. Ele prestou juramento no final de janeiro, após o Congresso declarar que o presidente Nicolás Maduro usurpou o cargo por ter sido reeleito de forma fraudulenta.

Vergara contou que, durante a batida, cerca de 15 agentes "violentaram" sua casa, ao mesmo tempo em que o questionavam sobre a localização de Marrero, um advogado que trabalhou na Assembleia Nacional (Parlamento).

Durante a operação, que durou cerca de duas horas, dois procuradores estiveram presentes, completou.

"Começaram a bater na casa de Roberto Marrero, que fica a não sei quantos metros da minha porta, até que conseguiram entrar", relatou.

Um motorista que trabalha para ele também foi detido.

"A ditadura continua sequestrando os cidadãos", afirmou Vergara, que garantiu ter dito aos agentes que Marrero tem imunidade parlamentar.

Em janeiro passado, o governo de Maduro divulgou um vídeo de um suposto encontro secreto entre o poderoso líder governista Diosdado Cabello, Guaidó e Marrero. Depois de negar em um primeiro momento, Guaidó minimizou o episódio.