Venezuela usa cartas da Rainha Elizabeth para pleitear US$ 1 bi em ouro no Banco da Inglaterra

O governo da Venezuela tem cartas que teriam sido assinadas pela rainha Elizabeth II para reforçar sua reivindicação de mais de US$ 1 bilhão em ouro armazenado junto ao Banco da Inglaterra. A correspondência diplomática é prova de que o Reino Unido reconheceu Nicolás Maduro como presidente da Venezuela, disse Calixto Ortega, presidente do banco central do país sul-americano.

Cassinos, Ferraris e grifes: Bairro rico de Caracas ilustra desigualdade da reação econômica da Venezuela

Encolheu: Orçamento de 2023 terá pelo menos R$ 12 bi para reajuste salarial a servidor

Isso compromete uma decisão de um juiz em Londres no mês passado que negou o controle do ouro ao governo de Maduro, disse Ortega na quinta-feira em uma rara entrevista. A emissão de vistos do Reino Unido para autoridades da administração de Maduro também fortalece a posição do governo, acrescentou Ortega.

O líder da oposição Juan Guaidó também está tentando reivindicar o controle do ouro na longa disputa legal, depois que o Reino Unido o reconheceu como presidente da Venezuela em 2019. O governo Maduro disse que recorrerá da decisão judicial mais recente.

“Três cartas assinadas pela rainha constituem uma posição oficial”, disse Ortega em Paris, ao retornar a Caracas de Londres, onde discutiu o assunto com seus advogados.

Nova postura para atrair dólares: Venezuela libera investimento estrangeiro em suas estatais

O ministério das Relações Exteriores do Reino Unido não respondeu imediatamente a um pedido de comentário por escrito.

O ouro, que está armazenado nos cofres do Banco da Inglaterra, representa cerca de um quinto dos US$ 5,2 bilhões em reservas internacionais da Venezuela, excluindo direitos de saque especiais com o Fundo Monetário Internacional, que o país não pode acessar atualmente.

Com mais disputas legais no horizonte, nem o governo Maduro nem Guaidó e seus aliados provavelmente ganharão o controle dos ativos em um futuro próximo.

Ortega mostrou à Bloomberg News duas cartas que teriam sido assinadas pela rainha Elizabeth II em junho, na qualidade de Rainha de São Vicente e Granadinas. Na primeira carta ela o notifica sobre uma mudança no representante do país caribenho que fica em Caracas, enquanto na segunda ela pede que Maduro credencie um novo.

O que vem depois do 5G? Conheça o 6G, a 'internet dos sentidos'

Em outra carta, a rainha escreveu a Maduro em nome do governo de Santa Lúcia. Todas as três cartas são endereçadas a “Sua Excelência Nicolás Maduro Moros Presidente da República Bolivariana da Venezuela”.

As cartas foram entregues a Ortega pelo ministério das Relações Exteriores da Venezuela, disse ele.

A rainha Elizabeth é a chefe de estado de várias nações caribenhas, que são independentes de Londres e seguem sua própria política externa.

Diesel mais barato: decisão alivia inflação, mas foi técnica ou política?

A equipe jurídica de Ortega deve decidir sua nova estratégia já na próxima semana, enquanto prepara recorrer da decisão. Tentar incluir as cartas como novas evidências pode arriscar arrastar o caso por mais tempo, disse Ortega.

O governo de Maduro vê a decisão do tribunal como “enormes consequências” para outros países com ativos no sistema financeiro do Reino Unido. “É a reputação de Londres como o lugar mais neutro e confiável para fazer negócios em todo o mundo que está em jogo aqui”, disse Ortega. “Eles dizem algo no tribunal e, na prática, se comportam de maneira diferente.”

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos