Venezuela vive problema de abastecimento de alimentos

CARACAS - Enquanto a Venezuela vive uma semana de incertezas políticas, com a ausência do presidente Hugo Chávez desde o dia 11 de dezembro, produtos como frango, açúcar, azeite, farinha de milho pré-cozido e café sumiram das prateleiras dos supermercados. Nesta terça-feira, em entrevista a Globovisión, o presidente da Datanálisis, Luis Vicente León, destacou que a política econômica do governo, baseada no controle extremo e na hostilidade com empresários, gerou a falta de produtos. O problema fez com com as autoridades anunciassem novas ações de fiscalização em supermercados e em áreas de distribuição na segunda-feira.

- Existe um problema de abastecimento e preços. As empresas que garantem o abastecimento na Venezuela são multinacionais, então é preciso explicar porque são especuladoras aqui e não em outros países da América Latina - disse.

Na segunda-feira, o ministro da Indústria, Ricardo Menéndez, reuniu-se com representantes das principais redes de supermercados da Venezuela, um setor que é liderado por empresários portugueses, e analisou aspectos relacionados com a distribuição de alimentos. A escassez fez com que alguns produtos fossem comercializados com ágio por vendedores informais.

- A iniciativa surgiu porque nas últimas semanas alguns supermercados e mercados municipais registaram problemas pontuais no abastecimento de produtos, o que levou o executivo a inspecionar a distribuição de alimentos - explicou à agência portuguesa Lusa uma fonte próxima de um dos participantes no encontro.

Durante a reunião, o vice-presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, fez um apelo para "garantir o abastecimento e o respeito pelos preços de bens e produtos fundamentais para o consumo venezuelano". Para o presidente da Datanálisis, no entanto, a especulação está associada a ameaças e expropriações, que "diminuem os investimentos e a capacidade produtiva".

Luis Vicente León sugere que, em vez de se reunir com empresários, o governo deveria resolver o problema cambiário. O controle de câmbio está em vigência desde 2003, e fixa o preço do dólar a 4,3 Bs (R$ 0,50). No mercado paralelo a cotação terminou a semana passada em 17,7 Bs (R$ 2,02).

- O dólar a esse preço é ridículo. O dólar não vale 4,3 Bs. O governo deveria ter depreciado esse valor e tratar com a verdadeira situação no país - defendeu Vicente León. - O resultado é que hoje não há vários produtos.

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