Venezuelano preso por tráfico internacional de pessoas já tinha sido acusado de extorquir dinheiro de deficientes

Carolina Heringer

O venezuelano preso nessa quarta-feira, no Rio, suspeito de tráfico internacional de pessoas, já tinha sido acusado de extorquir dinheiro deficientes auditivos na cidade de Boa Vista, Roraima. De acordo com as denúncias feitas em julho de 2017, Dionel Gregório Acosta Perez e outros dois homens exigiam, mediante ameaça, que as vítimas entregassem a eles dinheiro conseguido com pequenos trabalhos e doações recebidas. O inquérito, aberto na Polícia Civil de Roraima, até hoje foi concluído.

Dionel foi preso em flagrante com sua mulher, a também venezuelana Argelia Del Pilar Silva Jimenez, na casa onde a família morava, no Grajaú, Zona Norte do Rio. Eles foram capturados por policiais da Delegacia de Apoio ao Turista (DEAT), que foram ao local cumprir um mandado de busca e apreensão. Eles são suspeitos de trazer estrangeiros deficientes auditivos de seu próprio país para o Rio e aqui os mantinham em condição análoga à escravidão. O casal também é surdo-mudo.

Segundo as investigações, o casal de venezuelanos cooptava pessoas surdas-mudas em seu país de origem com a promessa de trazer as vítimas para o Brasil e conseguir empregos para elas. Quando chegavam aqui, obrigavam os estrangeiros a pedirem dinheiro nas ruas para custearem o valor gasto com a vinda deles para o Rio e suas despesas na cidade. A Polícia Civil estima que os venezuelanos conseguiam arrecadar cerca de R$ 500 por dia, de terça a sexta-feira. No fim de semana, o valor caía para R$ 200.

Na residência do casal, os policiais encontraram passaportes, outros documentos e cartões dos estrangeiros vítimas do casal. Também foram encontrados centenas de folhetos que eram distribuídos pelos surdos-mudos nas ruas. “Somos venezuelanos e sofremos problemas graves. Estou doente e meu país passa por uma grave crise. A fome se alastrou por todo território venezuelano”, dizia um dos panfletos encontrados.

Na casa, havia uma venezuelana que foi trazida para o Rio pelo casal. A polícia estima que outros quatro estrangeiros também fossem mantidos na residência, mas eles não estavam no local. Todos viviam na casa no Grajaú, na Zona Norte do Rio. Na residência, a polícia também encontrou 440 reais e 445 dólares, ambos em espécie, além de uma lata repleta de moedas brasileiras.

As investigações da polícia apontam que o casal de venezuelanos apreendia os passaportes, documentos e cartões de suas vítimas e os obrigava a morar na casa situada no Grajaú. Os estrangeiros eram obrigados a permanecer na rua, pedindo dinheiro, durante todo o dia. Eles só podiam retornar para a residência quando conseguissem a quantia diária estipulada por eles.

O caso foi enviado para a Justiça Federal e os venezuelanos passarão por Audiência de Custódia.