Venezuelanos atravessam fronteira dos EUA para pedir asilo após decisão judicial

Cerca de 600 venezuelanos que permaneciam em um acampamento às margens do rio Bravo, em Ciudad Juárez, no México, cruzaram a fronteira com os Estados Unidos para pedir asilo, depois que um juiz americano suspendeu uma restrição migratória, informaram autoridades nesta quinta-feira (17).

Os venezuelanos deixaram as barracas que ocupavam desde o fim de outubro na quarta-feira e atravessaram o rio "para se entregar à patrulha fronteiriça" americana, reportou a administração de Ciudad Juárez em um comunicado, no qual estimou em "mais de 600" o número de migrantes.

"Eles estão se entregando para pedir asilo", disse hoje à AFP Santiago González, diretor de um abrigo público na cidade.

A partida dos venezuelanos acontece depois de o juiz americano Emmet Sullivan ditar na terça-feira que o Título 42, aplicado desde o governo Donald Trump como medida anticovid, foi utilizado contra os migrantes de maneira "arbitrária e caprichosa" para bloquear seus pedidos de asilo.

Por solicitação do Departamento de Segurança Interna (DHS, na sigla em inglês), o mesmo juiz concedeu cinco semanas ao governo Joe Biden para se preparar para uma temida avalanche de migrantes, a imensa maioria latino-americanos. A sentença de terça-feira entrará em vigor à meia-noite de 21 de dezembro.

De janeiro a 22 de setembro, as autoridades fronteiriças dos Estados Unidos interceptaram 2,3 milhões de migrantes.

Apenas em outubro, foram 185.527 pessoas interceptadas ao longo da fronteira com o México, um aumento de 1,5% em um mês, segundo a Agência de Alfândega e Proteção Fronteiriça (CBP, na sigla em inglês). A grande maioria foi rejeitada em virtude do Título 42.

O número de venezuelanos, cubanos e nicaraguenses que tentam cruzar a fronteira terrestre aumentou 149% com relação a outubro de 2021, enquanto o de procedentes do México e do norte da América Central caiu 12%, segundo dados oficiais.

Em 12 de outubro, os governos de Washington e México anunciaram um acordo autorizando 24.000 venezuelanos a entrarem nos Estados Unidos mediante uma solicitação formal e por via aérea, enquanto os que entrassem ilegalmente seriam devolvidos ao território mexicano.

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